• Fábio Henrique Araújo

Diagnóstico 4.0 News - edição especial (Retrospectiva 2019 pt2)

Resumo semanal de notícias sobre Radiologia, Diagnóstico por Imagem & Saúde 4.0


1) Cientistas criam nanolaser capaz de mapear todo o cérebro por dentro


Os médicos podem logo ter uma nova potente ferramenta para tratar doenças em locais delicados, como o cérebro humano. Pesquisadores das Universidades de Nortwestern e de Columbia (ambas nos Estados Unidos) desenvolveram um nanolaser que pode funcionar dentro de tecidos vivos sem causar dano a eles. Com uma espessura entre 50 e 150 nanômetros, o feixe de laser é cerca de mil vezes mais fino do que um fio de cabelo, o que permite que ele entre em qualquer tipo de tecido vivo atrás de agentes causadores de doenças sem causar nenhum dano ao funcionamento local.


Revestido basicamente de vidro (o que permite que o aparelho não seja rapidamente considerado como um invasor pelas defesas do organismo), o "nanocanhão de laser" tem também a vantagem de trabalhar com feixes de luz de ondas longas e ondas curtas.De acordo com Teri Odom, uma das líderes da pesquisa, a possibilidade de trabalhar com esses dois tipos de ondas é interessante para aplicações em organismos vivos, pois os feixes de luz com ondas longas são necessários para práticas de bioimagem (uma espécie de “mapeamento” do corpo). É que esse tipo de onda consegue penetrar em locais que a luz de espectro visível não alcança. Ao mesmo tempo, quando o aparelho chega nesses locais mais profundos, muitas vezes os pesquisadores querem fazer um tipo de bioimagem diferente, para explorar em detalhes essas áreas, utilizando ondas curtas, e por isso o laser foi desenvolvido para funcionar com ambas.O experimento sobre a criação dos nanolaser foi publicado no dia 23 de setembro na revista Nature Materials.


Além do uso como auxiliar no tratamento de doenças como a epilepsia, o dispositivo também consegue operar em ambientes de espaço confinado, como circuitos quânticos e microprocessadores, o que permite que ele seja usado fora da área da medicina, para o desenvolvimento de chips mais potentes e com um gasto de energia menor. Esse novo laser desenvolvido nos Estados Unidos também resolve um dos maiores problemas de todos os nanolasers que foram desenvolvidos até hoje: o fato deles não terem a mesma eficiência dos lasers de tamanho padrão. Isso foi conseguido utilizando uma técnica chamada de “upconversion”, onde fótons de baixa energia são absorvidos pelo aparelho e convertidos em um único fóton com alta energia.Na prática, o que o dispositivo faz é pegar fótons de luz infravermelha biocompatível e convertê-los para um tipo de feixe laser visível a olho nu. Segundo os criadores, são essas características de um laser — poder funcionar com muito pouca energia e mesmo assim criar um feixe contínuo de luz visível — que tornam o equipamento tão importante para diversas aplicações, principalmente em diagnósticos por imagem. (Fonte: Canal Tech)

2) Pesquisadores descobrem 737 milhões de imagens médicas expostas na internet


No início deste verão, pesquisadores da empresa alemã Greenbone Networks decidiram passar algumas semanas vasculhando a Internet para ver quantos arquivos de imagens médicas poderiam estar expondo os dados dos pacientes. Presumivelmente, eles tinham um palpite de que apareceriam alguma coisa, mas parecem ter ficado surpresos com a escala do vazamento de dados que descobriram. Dos 2.300 sistemas de arquivamento analisados, 590 estavam acessíveis na Internet, expondo 24 milhões de registros médicos de 52 países.Os dados deste paciente estavam vinculados a 737 milhões de imagens médicas de raios-X, tomografias e ressonância magnética, incluindo 400 milhões em um estado que significava que elas poderiam ser baixadas e visualizadas usando um software facilmente disponível. Evidenciando a falta de cuidado e atenção, outros 39 foram tão fracamente protegidos que permitiram o acesso aos dados do paciente usando nada mais especializado do que um navegador da Web e HTTP.


Nos EUA, a exposição foi de 45,8 milhões de imagens médicas associadas a 13,7 milhões de registros, o que quase faz com que os números do Reino Unido de 5.000 imagens e 1.500 registros médicos soem bem. Claramente, algo está errado aqui, não apenas porque muitos dados e imagens médicas foram expostos, mas porque uma empresa de segurança precisou apontar isso.E por que regulamentos supostamente rigorosos, como a Lei de Portabilidade e Responsabilidade do Seguro de Saúde (HIPAA) nos EUA e o GDPR na UE, não impediram isso? De fato, eles quase certamente têm apenas a escala do problema, e o potencial de controles técnicos serem mal configurados ou esquecidos, simplesmente deixou muitos buracos para a regulamentação lidar. Vamos começar com o sistema usado para colocar todas essas imagens ao alcance de pessoas com más intenções - os Sistemas de Arquivamento e Comunicação de Imagens (PACS) - que se baseiam em um protocolo chamado Digital Imaging and Communications in Medicine (DICOM).


Em termos leigos, PACS são os servidores nos quais as imagens são armazenadas, enquanto o DICOM oferece uma maneira universal de armazenar, transmitir e visualizar imagens médicas em um formato padrão. Mas essa padronização e o uso de 2.300 endereços IP conhecidos que se comunicam pelas portas 104 e 11112 facilitam o acionamento de coisas como Shodan e Censys para procurar servidores expostos. Feito isso, tudo o que você precisa é de um visualizador para verificá-las quanto a imagens expostas e dados médicos associados, além de algum tempo em suas mãos. Enquanto isso, hospitais e médicos se acostumaram com a conveniência de poder mover imagens e armazená-las em bancos de dados que os vinculam.


Como em qualquer sistema de servidor, o PACS e o DICOM podem sofrer vulnerabilidades de software que colocam em risco a segurança - e eis que a empresa encontrou 10.000 deles nos servidores, incluindo 2.000 nas categorias 'alta severidade' e 'crítica'. Essa descoberta - e o número de servidores que oferecem uma variedade de problemas fracos de segurança e configuração - podem oferecer uma pista do que está acontecendo de errado. Tomada pelo valor nominal, sugere que muitos desses servidores são configurados e esquecidos ou, pelo menos, com patches irregulares. Talvez seja um problema causado pela fragmentação da assistência médica privada em países como os EUA, ou talvez as equipes médicas de TI tenham outras coisas com que se preocupar e assumam a perigosa suposição de que, porque ninguém (até onde sabemos) tentou violar esses dados em larga escala, os invasores não estão interessados. (Fonte: Naked Security).

3) Mulher celebra terapia inédita que ajudou marido contra câncer terminal em SP


Foram dois anos de luta e pouquíssimas expectativas desde que o funcionário público Vamberto Castro, de 64 anos, descobriu que tinha um linfoma terminal e recorreu em vão a diferentes tratamentos. A batalha ganhou um capítulo feliz graças ao resultado de uma terapia genética inédita na América Latina, implantada pelo Centro de Terapia Celular (CTC) do Hemocentro, ligado ao Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP).


Castro, que é de Belo Horizonte (MG), mas estava em Ribeirão Preto desde 9 de setembro, não só respondeu bem ao tratamento, realizado em caráter experimental por pesquisadores do interior de São Paulo, como também teve alta após a constatação de que está "virtualmente" livre da doença - pelos próximos cinco anos ele continuará sendo acompanhado.Mulher do paciente, Rosemary Castro volta otimista com o marido para Minas Gerais após ver de perto todo o sofrimento dele, que tomava doses máximas de morfina diariamente como tratamento paliativo para as dores recorrentes, além da perda de peso e das dificuldades para andar.


A descoberta do câncer pegou de surpresa toda a família de Vamberto, que sempre teve um estilo de vida saudável, conta Rosemary."Sempre foi uma pessoa que gostava muito de praticar esporte, caminhada, uma saúde sempre muito impecável, não tinha vício nenhum. A gente não imagina nunca que de repente possa aparecer uma doença dessas que, de um minuto para outro, desestrutura tudo na vida da gente", relata.O primeiro sinal do linfoma, de acordo com ela, veio por meio de um caroço no pescoço do marido, que logo causou apreensão.Quando o diagnóstico confirmou a má notícia, tudo que restou para a família foi correr atrás de alternativas.


O prognóstico dado pelos médicos era de que Vamberto teria menos de um ano de vida.As esperanças pareciam esgotadas depois que ele recorreu a quimioterapia e radioterapia e não obteve resultado, até que foi incluído em um protocolo de pesquisa do Centro de Terapia Celular em Ribeirão Preto, onde os médicos testaram a terapia genética inédita no Brasil. Criada nos EUA, a técnica CART-Cell, que consiste na manipulação de células do sistema imunológico para combater as células causadoras do câncer, ainda é pouco acessível, com tratamentos comerciais que podem ultrapassar os US$ 475 mil. (...) (Fonte: G1)

4) Cientistas da UFRJ abrem caminho para diagnósticos precoces de Parkinson


Uma descoberta de cientistas brasileiros lançou luz sobre um dos mecanismos mais misteriosos do mal de Parkinson e abriu caminho para diagnosticar e tratar a doença. O Parkinson é a segunda doença neurodegenarativa mais frequente, atrás apenas do mal de Alzheimer. Como ela, também não tem cura, tratamento específico —apenas paliativo — ou diagnóstico preciso. O grupo integrado por cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e brasileiros que trabalham na Escola de Medicina da Universidade da Virgínia (EUA) investigou pequenas estruturas de proteínas chamadas oligômeros, cujo papel até hoje permanece pouco conhecido.


Por sua relevância, o estudo foi publicado na revista científica internacional “Communications Biology”, ligada ao grupo “Nature”.Já se sabia que os oligômeros —a grosso modo, um estágio intermediário de proteínas— formam placas no cérebro associadas ao mal de Parkinson. Essas placas geram as fibras amilóides presentes no cérebro dos doentes. Mas quais oligômeros estavam envolvidos na doença permanecia uma pergunta sem resposta. Guilherme de Oliveira, um dos coautores do estudo e pesquisador da University of Virginia e da UFRJ, explica que "uma pessoa desenvolve Parkinson ao longo de toda uma vida”.


A conversão entre os estágios da proteína acontece lentamente e as estruturas intermediárias e os filamentos se acumulam por muito tempo. A ciência ainda não sabe o que desencadeia o surgimento dos sintomas.Como o papel dessas estruturas em condições normais é desconhecido, o ataque indiscriminado não pode ser feito porque poderia ter consequências extremamente graves e, potencialmente, letais. A chave era identificar os culpados em meio a uma multidão de suspeitos. O que fizemos foi flagrar o estágio inicial da acumulação de oligômeros.


Descobrimos quais oligômeros se juntam para formar as placas ligadas à doença — explica um dos líderes do estudo, o professor titular do Departamento de Bioquímica Médica da UFRJ e presidente da Faperj, Jerson Lima Silva. Ele acrescenta que moléculas que ataquem esses oligômeros específicos abrem caminho para o tratamento precoce, o que impediria não apenas o aparecimento de sintomas, como tremores e distúrbios motores, mas também sequelas. Outro aspecto fundamental é a possibilidade de um diagnóstico precoce, hoje impossível. (...) (Fonte: O Globo)


5) Empresas apresentam durante a Futurecom teste de 5G aplicado a telemedicina esportiva


A Ericsson e TIM apresentam durante o Futurecom 2019, de 29 a 31 de outubro, um teste rodando em 5G aplicado em telemedicina esportiva.  A demonstração, que vai permitir avaliar os avanços da tecnologia na área da saúde, consiste em atendimento médico baseado em imagem com luva tátil controlada remotamente via 5G. O objetivo é demonstrar o efeito do 5G em ultrassonografias realizadas em regiões do corpo bastante afetadas em atletas, como joelho, tornozelo e ombros.


Um assistente atua in loco com os atletas, usando a luva tátil, enquanto o médico fará o diagnóstico à distância.A baixa latência trazida pelo 5G permitirá ter diagnósticos imediatos e resultados mais rápidos de exames que dependem da comunicação e conexão entre aparelhos (IoT), como aqueles que dependem de imagens em alta definição para definir diagnósticos. Sendo o ultrassom um exame muito delicado e sensível, o tempo de resposta em níveis baixíssimos permite que dois locais se integrem quase que simultaneamente, viabilizando que o médico especialista no consultório use um joystick para orientar o paramédico no local remoto (ambulância, por exemplo) através de uma luva com sensores. Esta luva recebe as sensações provenientes do joystick do médico e permite que o paramédico posicione perfeitamente o transdutor do ultrassom no paciente a ser examinado.


Para a demonstração do Futurecom, utilizou um servidor virtual Evolved Packed Core (vEPC) da Ericsson, além da cobertura fornecida pelos rádios 5G em frequência 3.5GHz. A indústria da Saúde será uma das mais beneficiadas com as facilidades que o 5G leva para a vida das pessoas. Será possível aproximar pacientes em regiões distantes dos grandes centros, como Rio de Janeiro e São Paulo, a profissionais de saúde, que podem, em tempo real, avaliar o tratamento, condições, reações a medicamentos e todos os pontos relevantes de uma consulta médica. (Fonte: Fórum Saúde Digital)

0 visualização

©2019 Todos os direitos reservados. Consultório 4.0