• Fábio Henrique Araújo

Diagnóstico 4.0 News - edição especial (Retrospectiva 2019 pt1)

Resumo semanal de notícias sobre Radiologia, Diagnóstico por Imagem & Saúde 4.0




1) Novo método detecta câncer de próstata por meio da urina


Um estudo produzido pelo Laboratório de Investigação Médica da Disciplina de Urologia (LIM 55) da Faculdade de Medicina (FM) da USP, em parceria com o Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, conseguiu identificar pacientes com câncer de próstata a partir do exame de amostras de urina. Além de permitir o diagnóstico de modo não invasivo, a técnica também possibilitou a análise da agressividade do tumor, fundamental para determinar o melhor tratamento.


Agora, o próximo passo é a validação das descobertas. Os pesquisadores buscam financiamento para um novo projeto de pesquisa que terá como objetivo comprovar se os resultados encontrados se repetem em uma população diferente da estudada até então.  Caso validadas, as descobertas poderão contribuir como uma opção mais prática e barata de exame. Apesar de já existirem testes semelhantes disponíveis comercialmente, estes são mais complexos e protegidos por patente, o que resulta em alto custo e baixa disponibilidade. “Por isso, é bastante desejável que consigamos disponibilizar esse exame, validar e talvez disponibilizar na prática”, afirma a professora Kátia Leite, professora da FMUSP e chefe do LIM 55.


Atualmente, os dois principais modos de analisar a suspeita do câncer são o toque retal, que busca identificar uma zona de endurecimento na próstata relacionada à presença da doença, e o exame dos níveis de Antígeno Prostático Específico (PSA) no sangue. Apesar de menos invasivo, este último não elimina a necessidade da biópsia, explica a professora. “O PSA é um marcador interessante, pois é específico da próstata. Mas não é específico do câncer de próstata, pois também pode aumentar na hiperplasia prostática benigna e na prostatite, por exemplo”, diz a professora, que também é coautora do estudo. “O que  precisamos é de melhores indicadores para fazer uma biópsia de maneira segura e em um número menor de pacientes.” (Fonte: Jornal USP)



2) Estudante mexicano cria sutiã capaz de detectar câncer de mama


Um estudante mexicano de 18 anos acaba de criar um sutiã capaz de ajudar mulheres a detectar precocemente um câncer de mama, projeto que acaba de ser premiado pelo Global Student Entrepreneur Awards (GSEA). Julian Rios Cantu se inspirou na batalha da mãe contra a doença, que exigiu uma dupla mastectomia. O sutiã, batizado de EVA, foi pensado em conjunto com mais dois amigos através de sua empresa Higia Technologies, e foi criado especialmente para mulheres com predisposição genética ao câncer.


Equipado com cerca de 200 biosensores, a peça mapeia a superfície da mama e é capaz de monitorar as mudanças de temperatura, forma e peso. Para o diagnóstico, basta usar o sutiã por uma hora, toda semana. Em entrevista ao jornal El Universal, Cantu disse que os sensores são capazes de determinar a condutividade térmica por zonas específicas. Em alguns casos, o calor pode indicar mais fluxo sanguíneo, o que, portanto, indica que os vasos sanguíneos estão ‘alimentando’ algo.


“O EVA coleta dados por meio da temperatura corporal. Assim que há uma malformação no seio ou um tumor, automaticamente ocorre uma super-vascularização. Portanto, quanto maior o fluxo de sangue, maior a temperatura”, explicou ao Infobae. A premiação rendeu aos estudantes US$ 20 mil pelo trabalho.(Fonte: Marie Claire)


3) Médicos brasileiros fazem cirurgia intrauterina inédita no mundo


Um procedimento inédito no mundo para corrigir uma má-formação congênita em um feto de 33 semanas, ainda no útero da mãe, foi feito no Hospital da Criança e Maternidade de São José do Rio Preto, no interior paulista, neste mês de junho. O feto com gastrosquise – abertura no abdômen que permite que órgãos, normalmente o intestino, se desenvolvam do lado de fora – foi operado pela técnica de fetoscopia. Até então, o paciente era operado logo após o nascimento. O procedimento foi apresentado nesta semana no Congresso Mundial de Medicina Fetal, em Alicante, na Espanha. No Brasil, a cada 2 mil bebês, um nasce com essa má-formação.


Os médicos precisaram de uma hora e 40 minutos para fazer o procedimento. A técnica de fetoscopia é similar a uma laparoscopia, não sendo uma cirurgia aberta e, portanto, minimamente invasiva. São feitas quatro pequenas incisões na barriga da mãe por onde eles introduzem os instrumentos para ver o interior do útero e corrigir a má-formação. Eles recolocaram o intestino no abdômen do feto e fecharam a parede abdominal. Após 48 horas da cirurgia, apesar de mãe e feto estarem bem, foi verificado durante um ultrassom de controle que parte do intestino saiu por uma pequena abertura e os médicos optaram pelo tratamento convencional, realizando o parto.


O médico Gustavo Henrique de Oliveira explicou que a sutura estava intacta, mas avaliou que uma passagem estreita, em torno de 3 milímetros, ao lado do cordão umbilical, fez com que as alças intestinas saíssem novamente. “Nós tomamos um cuidado muito grande durante a cirurgia de não fazer uma sutura muito próxima do cordão porque poderia comprometer a circulação do cordão umbilical”, disse.


Oliveira disse que a ocorrência não implica em um insucesso do procedimento, pois o parto foi feito dentro do protocolo do tratamento convencional, em torno da 34ª semana, e agora eles avaliam, apesar da persistência da abertura, ganhos para a bebê após o nascimento. “Parece que a evolução da bebê está sendo um pouco superior, sim, mas não tenho como te responder isso de maneira mais concreta”, ponderou. (...). (Fonte: Isto É Dinheiro)


4) Scanner de retina de baixo custo pode ajudar a prevenir a cegueira em todo o mundo


Os engenheiros biomédicos desenvolveram um scanner portátil de tomografia de coerência óptica (OCT) de baixo custo que promete levar a tecnologia de economia de visão a regiões desfavorecidas nos Estados Unidos e no exterior. Graças a um espectrômetro reprojetado, impresso em 3D, o scanner é 15 vezes mais leve e menor que os sistemas comerciais atuais e é feito de peças que custam menos de um décimo do preço de varejo dos sistemas comerciais - tudo sem sacrificar a qualidade da imagem. 


Em seu primeiro ensaio clínico, o novo scanner OCT produziu imagens de 120 retinas que eram 95% mais nítidas do que as tomadas pelos sistemas comerciais atuais, o que era suficiente para um diagnóstico clínico preciso. Os resultados foram publicados on-line em 28 de junho na Translational Vision Science & Technology , uma revista da ARVO. Em uso desde a década de 1990, a imagem da OCT tornou-se o padrão de tratamento para o diagnóstico de muitas doenças da retina, incluindo degeneração macular e retinopatia diabética, bem como para o glaucoma. No entanto, a OCT raramente é incluída como parte de um exame de triagem padrão, já que as máquinas podem custar mais de US $ 100.000 - o que significa que geralmente apenas os centros oftalmológicos maiores as têm.


"Uma vez que você perdeu a visão, é muito difícil recuperá-la, então a chave para prevenir a cegueira é a detecção precoce", disse Adam Wax, professor de engenharia biomédica da Duke. "Nosso objetivo é tornar a OCT drasticamente menos dispendiosa, para que mais clínicas possam pagar os dispositivos, especialmente em ambientes globais de saúde". OCT é o análogo óptico do ultrassom, que funciona enviando ondas sonoras para os tecidos e medindo quanto tempo eles levam para voltar. Mas como a luz é muito mais rápida do que o som, o tempo de medição é mais difícil. 


Para cronometrar as ondas de luz que retornam do tecido que está sendo escaneado, os dispositivos da OCT usam um espectrômetro para determinar o quanto sua fase mudou em comparação com ondas de luz idênticas que viajaram na mesma distância, mas não interagiram com o tecido. A principal tecnologia que permite o dispositivo OCT menor e menos caro é um novo tipo de espectrômetro projetado por Wax e seu ex-aluno de pós-graduação Sanghoon Kim. Os espectrômetros tradicionais são feitos principalmente de componentes metálicos cortados com precisão e luz direta através de uma série de lentes, espelhos e fendas de difração em forma de W. Embora essa configuração forneça um alto grau de precisão, pequenas mudanças mecânicas causadas por batidas ou até mesmo mudanças de temperatura podem criar desalinhamentos. (Fonte: Interação Diagnóstica)


5) MIT cria solução capaz de diagnosticar sepse em poucos minutos


O Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) anunciou, nesta terça-feira (23), um novo sensor desenvolvido por pesquisadores para identificar a sepse em poucos minutos. De acordo com a instituição, a condição, mais conhecida como infecção generalizada, é uma das principais causas de morte nos hospitais dos Estados Unidos, com cerca de 250 mil óbitos por ano. A melhor maneira de enfrentar a sepse é reconhecê-la e tratá-la rapidamente.


Hoje, o diagnóstico é realizado com monitoramento de sinais vitais e exames de imagem e laboratório. Os sistemas disponíveis fazem a análise em alguns horas ou no máximo 30 minutos. As soluções mais rápidas são caras, já que usam componentes ópticos para detectar a interleucina-6 (IL-6) em uma grande quantidade de sangue. Para mudar esse cenário, os pesquisadores do MIT descobriram proteínas no sangue que agem como indicadores da sepse. A IL-6 é produzida pelo corpo em resposta à inflamação e seu nível pode aumentar horas antes de outros sintomas aparecerem. Em um artigo, os pesquisadores apresentaram um sistema que detecta automaticamente a IL-6 para diagnóstico de sepse em cerca de 25 minutos usando uma pequena quantia de sangue que pode ser obtida com uma picada no dedo.


A solução criada pelo MIT é formada por dois canais. Um deles possui microesferas com anticorpos que se misturam com uma amostra de sangue para “prender” o biomarcador de IL-6, enquanto outro canal conecta esse material a um eletrodo. Toda vez que uma das esferas IL-6 passa por ele, um sinal é produzido. Assim, é possível identificar o nível da substância no sangue e acompanhar o aumento dela, processando várias amostras em paralelo. "Para uma doença aguda, como a sepse, que progride muito rapidamente e pode colocar a vida em risco, é útil ter um sistema que avalie rapidamente esses biomarcadores", diz Dan Wu, pesquisador do MIT e um dos autores do artigo. “No final, os médicos apenas colocam uma amostra de sangue usando uma pipeta. Então, eles pressionam um botão e 25 minutos depois eles sabem da concentração de IL-6 ”.


Os pesquisadores planejam desenvolver um painel completo com outras proteínas que agem como marcadores precoces da detecção de sepse para reforçar a precisão de seu diagnóstico. O sistema, que ainda está em testes, poderá ser ajustado para detectar diversos biomarcadores, possibilitando o diagnóstico de outras doenças. (Fonte: Startse)


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