• Fábio Henrique Araújo

Diagnóstico 4.0 News - edição #6

Resumo semanal de notícias sobre Radiologia, Diagnóstico por Imagem & Saúde 4.0




1) Cientista brasileira cria ‘caneta’ que detecta câncer durante cirurgia


Uma cientista brasileira de 33 anos desenvolveu uma espécie de caneta capaz de detectar células tumorais em poucos segundos. Livia Schiavinato Eberlin é formada em Química pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e, apesar da pouca idade, já é chefe de um laboratório de pesquisa da Universidade do Texas em Austin, nos Estados Unidos.

Foi lá que, há quatro anos, ela iniciou os estudos de um dispositivo capaz de extrair moléculas de tecido humano e apontar, no material analisado, a presença de células cancerosas. A tecnologia está em estudo, mas já teve resultados promissores ao ser usada na análise de 800 amostras de tecido humano.


A pesquisadora, que já mora há dez anos nos EUA, para onde se mudou para fazer doutorado, está no Brasil nesta semana para apresentar os achados de sua pesquisa no congresso Next Frontiers to Cure Cancer, promovido anualmente pelo A.C. Camargo Cancer Center na cidade de São Paulo.

Nos Estados Unidos, Livia ganhou destaque na comunidade científica ao ser uma das personalidades selecionadas em 2018 para receber a renomada bolsa da Fundação MacArthur, conhecida como “bolsa dos gênios” e destinada a profissionais com atuação destacada e criativa em sua área. O prêmio, no valor de U$ 625 mil (cerca de R$ 2,5 milhões), é de uso livre pelo bolsista.


Em entrevista exclusiva ao Estado, a pesquisadora explicou que a caneta, batizada de MacSpec Pen, tem como principal objetivo certificar, durante uma cirurgia oncológica, que todo o tecido tumoral foi removido do corpo do paciente. Isso porque nem sempre é possível visualizar a olho nu o limite entre a lesão cancerosa e o tecido saudável. “Muitas vezes o tecido é retirado e analisado por um patologista ainda durante a cirurgia para confirmar se todo o tumor está sendo retirado, mas esse processo leva de 30 a 40 minutos e, enquanto isso, o paciente fica lá, exposto à anestesia e a outros riscos cirúrgicos”, explica Livia.


A caneta desenvolvida por ela e sua equipe de pesquisadores usa uma técnica de análise química para dar essa mesma resposta que um patologista daria. “A caneta tem um reservatório preenchido com água. Quando a ponta dela toca o tecido, capta moléculas que se dissolvem em água e são transportadas para um espectrômetro de massa, equipamento que caracteriza a amostra como cancerosa ou não”, explica a cientista.

Essa caracterização da amostra em maligna ou não pode ser feita porque a tecnologia usa, além dos equipamentos de análise química, técnicas de inteligência artificial para que a máquina “responda” se as células são tumorais.

Para isso, foram usadas, na criação do modelo, centenas de amostras de tecidos cancerosos que, por meio de suas características, “ensinam” a máquina a identificar tecido tumoral. “Na primeira fase da pesquisa analisamos mais de 200 amostras de tecido humano e verificamos uma precisão de identificação do câncer de 97%”, conta Livia. (Fonte: Estadão)


2) O diagnóstico do cancro da mama por parte de inteligência artificial (IA) é agora tão bom quanto o diagnóstico de especialistas humanos


O cancro da mama é o tipo de cancro mais diagnosticado nas mulheres em todo o mundo e, em Portugal, surgem cerca de 4500 novos casos anualmente. No Serviço Nacional de Saúde, o rastreio do cancro da mama inclui uma mamografia, que é essencialmente um raio X do seio. No entanto, o futuro deste teste poderá estar em risco à medida que o número de especialistas capazes de ler os resultados diminui. Embora esse défice não possa ser compensado imediatamente, alguns avanços promissores na IA podem ajudar.


Interpretar uma mamografia é um processo complexo normalmente realizado por radiologistas especialmente treinados. As suas habilidades são essenciais para a deteção precoce e diagnóstico desde tipo de cancro. Os médicos examinam visualmente várias mamografias à procura de sinais de cancro da mama, explica o The Conversation.

Contudo, esse sinais são muitas vezes ambíguos ou difíceis de analisar. As taxas de falso negativo das mamografias estão entre 20% e 30%. Estes são erros de perceção ou erros de interpretação e podem ser atribuídos à sensibilidade ou especificidade de quem os lê.


Muitos acreditam que a chave para o desenvolvimento do conhecimento necessário para interpretar mamografias é um treino rigoroso, prática e experiência intensiva. Enquanto alguns investigadores estudam estratégias de treino que podem acelerar a transição de médico novato para especialista, outros investigam de que forma a IA pode ser usada para acelerar o diagnóstico e melhorar a sua precisão. (Fonte: The Conversation)



3) Mudança de regras para a proteção de dados pessoais tem impacto sobre o setor de saúde, dizem especialistas


Os prós e contras das novas regras de proteção de dados pessoais no setor da saúde foram o foco de audiência pública realizada nesta quarta-feira (17) para embasar a votação da Medida Provisória 869/2018. Trata-se da MP que regulamenta Lei Geral de Proteção de Dados (Lei 13.709, de 2018). Um de seus dispositivos altera regras de compartilhamentos de dados entre entidades privadas, permitindo que, em alguns casos, seja dispensado o consentimento do titular. Esses compartilhamentos, na área da saúde, podem ocorrer entre empresas de seguro e hospitais, para efetuar pagamento de serviços; entre profissionais médicos, para composição de diagnósticos; e também entre clínicas e pesquisadores ou órgãos públicos, para subsidiar estudos e políticas públicas.


Glauce Carvalhal, superintendente jurídica da Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNseg), afirmou que a troca de dados sensíveis é essencial para a cadeia produtiva do setor.

— É imprescindível para que o sistema aconteça. Com essas trocas, aumentamos a segurança dos procedimentos, contribuímos para políticas públicas mais assertivas e combatemos fraudes — declarou. Uma maior liberalidade no compartilhamento de dados médicos pessoais não significaria a quebra de sigilo de prontuários ou da privacidade dos pacientes, afirmou Fabio Cunha, presidente da Câmara Jurídica da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed). Ele salientou que esses princípios são invioláveis. Para o advogado, no entanto, afirmou que a exceção criada pela MP é uma modificação importante para viabilizar tarefas corriqueiras das atividades de saúde.


— A restrição [da lei] vai fazer a gente reavaliar procedimentos que são feitos no dia a dia. Ficaria vedado o compartilhamento de dados [entre] uma empresa que faz a medicina diagnóstica dentro de um hospital e o profissional de saúde do hospital — alertou.

Realidades como essa são fruto de uma maior complexidade e especialização da prestação de saúde. Segundo Ronaldo Lemos, representante da Confederação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos (CMB), os avanços tecnológicos estão mudando “completamente” o setor, e a legislação precisa suportar esse cenário.


— O futuro da saúde são os dados. Eles permitem avanços em pesquisa, atendimento, tratamento. Vamos ter telemedicina, diagnóstico descentralizado, redução de custos logísticos — disse.

No campo da pesquisa, a modificação da MP colocaria o Brasil em linha com a comunidade internacional. Para Rodrigo Torres, diretor do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

— Vários organismos internacionais que financiam pesquisa no Brasil estão regidas por legislações da União Europeia, que exigem uma série de normas para que esses convênios sejam realizados — observou.


Além da abertura para compartilhamento, Torres destacou que a lei precisa delimitar bem as entidades que terão esse acesso. O risco, caso contrário, é descaracterizar os próprios organismos de pesquisa. Também é necessário, para ele, garantir a independência da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), órgão criado pela medida provisória e encarregado de supervisionar o cumprimento da Lei Geral de Proteção de Dados. (Fonte: Senado Notícias)


4) FBI investiga Johnson & Johnson, Siemens, GE e Philips por suspeita de corrupção no Brasil

O FBI investiga as empresas Johnson & Johnson, Siemens, General Electric e Philips por suposto pagamento de subornos como parte de um esquema envolvendo a venda de equipamentos médicos no Brasil, disseram duas autoridades envolvidas na investigação brasileira à Reuters. Procuradores do Ministério Público Federal suspeitam que as empresas tenham realizado pagamentos ilegais a autoridades públicas para garantir contratos na área de saúde pública no país ao longo das últimas duas décadas.


Autoridades brasileiras dizem que mais de 20 empresas podem ter participado de um "cartel" que pagava propinas e cobrava preços inflacionados por equipamentos médicos, como máquinas de ressonância magnética e próteses. As quatro multinacionais, que juntas têm valor de mercado de quase US$ 600 bilhões, são as maiores empresas estrangeiras a serem investigadas no âmbito das diversas operações anticorrupção no Brasil deflagradas nos últimos anos.


Grandes empresas norte-americanas e europeias que tenham envolvimento comprovado em irregularidades no Brasil também podem enfrentar multas pesadas e outras punições, de acordo com a Lei de Práticas Corruptas no Exterior dos Estados Unidos (FCPA).

Desde 1977, a lei tornou ilegal cidadãos e empresas norte-americanas ou empresas estrangeiras que tenham ações listadas nos EUA pagarem autoridades estrangeiras para fechar negócios.


As empresas estrangeiras são o alvo mais recente das investigações de corrupção no Brasil. Nos últimos cinco anos, procuradores revelaram esquemas de corrupção enraizados em instituições estatais e em companhias do setor privado que desejam fazer negócios no país.

As investigações abrangentes dos procuradores e da Polícia Federal -- entre elas a operação Lava Jato, centrada na Petrobras – derrubaram líderes políticos e empresariais em toda a América Latina.


Autoridades dizem que acordos de delação feitos com suspeitos apontaram para outros esquemas possíveis, incluindo supostas propinas pagas por multinacionais para obter contratos públicos no Brasil. (Fonte: G1)



5) Protocolos de ressonância magnética não afetam a temperatura do implante de quadril


Os médicos podem realizar com segurança exames de ressonância magnética (3-tesla) com protocolos de sequência de redução de artefatos de metal (MARS) em pacientes com implantes de artroplastia do quadril sem aquecimento térmico excessivo dos dispositivos, segundo pesquisa apresentada durante o encontro anual da American Roentgen Ray Sociedade (ARRS), em Honolulu. 


O estudo baseado em phantom concluiu que o aumento máximo da temperatura em qualquer ponto foi inferior a 2 ° C em todas as sequências de pulso MRI MARS e artroplastia total do quadril. "Os resultados sugerem apenas um risco mínimo de lesão térmica com os protocolos clínicos de ressonância magnética MARS usados, especialmente quando se adiciona o efeito de resfriamento da perfusão em condições fisiológicas", escreveu o principal autor Dr. Iman Khodarahmi e colegas da Johns Hopkins University (JHU). 

Aproximadamente 860.000 procedimentos de substituição de quadril e joelho foram realizados por 4.755 cirurgiões em 654 instituições nos EUA em 2017, de acordo com um relatório anual da American Academy of Orthopaedic Surgeons. Além disso, cerca de 2,5 milhões de americanos passaram por artroplastia total do quadril e continuam com seus aparelhos hoje, de acordo com um relatório de 2014 da Mayo Clinic.


Dado que muitos desses pacientes podem ter que um dia passar por exames de ressonância magnética, os pesquisadores da JHU se propuseram a investigar a segurança dos protocolos de ressonância magnética MARS clínicos e não-clínicos nos aparelhos a uma força magnética de 3 tesla. (Fonte: Interação Diagnóstica)


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