• Fábio Henrique Araújo

Diagnóstico 4.0 News - edição #28

Resumo semanal de notícias sobre Radiologia, Diagnóstico por Imagem & Saúde 4.0




1) Operadoras querem planos de saúde específicos e no formato 'pay-per-view'

Congresso e governo receberam de operadoras de saúde uma proposta para abrandar as regras que regulamentam o setor. A ideia apresentada pelo grupo é facilitar a oferta de planos individuais, permitindo a criação de contratos com menor cobertura e mensalidades mais baixas. Caso a solicitação seja atendida, será possível a oferta de planos para atender apenas determinados tipos de doença - como cardíacas ou renais - ou para procedimentos específicos. A ideia é fazer um "pay-per-view" da saúde, em que clientes montam o plano de atendimento conforme seu interesse e pagam de acordo com as opções que incluírem. Se a proposta for aceita, poderá haver no mercado convênios que não façam atendimento para câncer ou problemas renais, por exemplo. Pacientes que necessitarem do tratamento, e não tiverem previsão de cobertura, terão de recorrer ao Sistema Único de Saúde (SUS). Especialistas em saúde preventiva e direito do consumidor dizem temer que, uma vez aceita essa modalidade, planos deixem de colocar no mercado modalidades de coberturas que impliquem tratamentos muito caros. Ou, então, que cobrem preços proibitivos.


Pela proposta, esses novos contratos não responderiam às regras atuais para reajuste. Os porcentuais seriam determinados caso a caso, de acordo com a característica de cada carteira. Operadoras reivindicam ainda o fim da proibição do reajuste por idade para usuários com mais de 60 anos, a possibilidade de o setor privado "alugar" equipamentos do SUS para atender clientes, a permissão do uso da telemedicina, prazos mais longos para a regra que fixa um limite de espera para a obtenção de uma consulta ou terapia e punições mais leves em caso de descumprimento de regras. Uma carta com as diretrizes gerais foi encaminhada para o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ). O assunto também é debatido por um grupo restrito de parlamentares. De acordo com assessores de Maia, ele ainda não fez uma análise aprofundada do tema. A intenção de operadoras é de que a pauta comece a ser debatida tão logo a reforma da Previdência seja concluída. (...) (Fonte: Correio)



2) Nova pesquisa revela preferências atualizadas de pacientes sobre a tecnologia digital de saúde


A ResMed (NYSE: RMD, ASX: RMD) anunciou hoje os resultados de uma pesquisa conduzida pela empresa, revelando novas preferências dos pacientes em relação à tecnologia digital de saúde. A pesquisa destaca um motivo de otimismo pois prevê que os mercados de tecnologia digital de saúde continuarão crescendo. A pesquisa, feita com uma amostra nacionalmente representativa de 3.000 norte-americanos e realizada em parceria com a Edelman Intelligence, revelou que o uso e a confiança em tecnologia digital de saúde remota são abrangentes: Atualmente, 56% dos pesquisados monitoram sua saúde com pelo menos uma ferramenta digital de coleta de dados. Além disso, 60% das pessoas tenta se diagnosticar após procurar informações sobre sintomas na internet, incluindo 76% dos millennials.


Surpreendentemente, a tecnologia digital de saúde remota parece ter aprofundado a conexão entre pacientes e médicos, em vez de distanciá-los. Mais da metade dos pesquisados concorda que a tecnologia melhorou seu relacionamento com seu profissional de saúde e muitos gostariam de poder se comunicar com seu médico com mais frequência. Eles também veem uma maior oportunidade para isso, e 68% deseja que a tecnologia desempenhe um papel maior no compartilhamento de informações médicas em tempo real com seu médico. "Aplicativos e outras ferramentas digitais agora fornecem acesso fácil e seguro aos nossos próprios dados de saúde e aos nossos médicos o tempo todo", explica Dr. Carlos M. Nunez, diretor médico da ResMed. "Esses dados do mundo real podem revelar informações que ajudarão a melhorar o uso de terapias em casa ou podem desencadear uma conversa com o médico e ajudar os pacientes a tirar o máximo proveito de sua terapia para obter melhores resultados. Enquanto isso, os médicos com acesso remoto aos dados dos pacientes podem monitorá-los mais facilmente, alcançando rapidamente aqueles que precisam de assistência. Os pesquisadores médicos podem analisar grandes conjuntos de dados a fim de revelar descobertas que podem levar a novas práticas recomendadas aplicáveis a populações de pacientes. Todos esses benefícios estão mudando a maneira como todos recebemos atendimento hoje, melhorando a qualidade do atendimento a milhões e aumentando a eficiência dos profissionais de saúde."


Com mais de 10 milhões de dispositivos de assistência respiratória e apneia do sono conectáveis à nuvem nas casas dos pacientes, a ResMed sabe a importância de ajudar as pessoas a entender como a tecnologia digital de saúde pode afetar positivamente sua saúde:


  • 87% dos usuários de dispositivos de apneia do sono aderem a terapias quando monitorados remotamente e automonitorados, em comparação com aproximadamente 50% dos usuários de dispositivos não conectados à nuvem.

  • Um sensor digital que rastreia o uso do inalador de um paciente por asma ou doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) pode melhorar a aderência em até 58%, aumentar em 48% os dias sem sintomas e reduzir em 53% as visitas ao pronto-socorro.


"Os resultados dessa pesquisa destacam a necessidade de continuar educando o público sobre os benefícios do monitoramento remoto e de outras ferramentas digitais, bem como a viabilidade do atendimento ambulatorial, pois a tecnologia permite que pacientes e médicos colaborem de maneira mais eficiente na melhoria dos resultados médicos como equipe", explica Nunez. "Os dispositivos de saúde conectados da ResMed e as plataformas de software que permitem assistência ambulatorial são partes integrantes dessa mudança dinâmica e acredito que são cruciais para ajudar a melhorar a vida de centenas de milhões de pessoas em todo o mundo." (Fonte: Terra)



3) Pesquisadores planejam 'dar à luz' um câncer em busca por detecção precoce

Pesquisadores britânicos e americanos se juntaram para tentar encontrar sinais mais precoces de câncer e assim tratar a doença antes que ela venha à tona ou esteja em estágio avançado. Os estudiosos planejam "dar à luz" um câncer para entender exatamente como ele se parece em seu "primeiro dia de vida". Este é um dos estudos prioritários da nova Aliança Internacional para Detecção Precoce do Câncer, que inclui ao menos cinco universidades: Cambridge, Manchester, University College de Londres, Stanford e Oregon, além da filantrópica Cancer Research UK. A iniciativa já conta com quase US$ 300 milhões. O grupo mira o desenvolvimento de testes menos invasivos, como o de sangue e de urina, para monitorar pacientes de alto risco, o aprimoramento dos exames de imagem para detectar câncer mais cedo e a busca por sinais da doença que hoje são virtualmente indetectáveis.


Mas os cientistas admitem que estão procurando uma "agulha no palheiro" e isso pode durar mais de três décadas. "O problema fundamental aqui é que nunca vamos ver um câncer nascer em um ser humano", afirma David Crosby, chefe da pesquisa sobre detecção precoce no Cancer Research UK. "Quando é encontrado, já está estabelecido." Pesquisadores da Universidade de Manchester, no Reino Unido, estão cultivando tecidos de mama em laboratório com células sintéticas do sistema imunológico para ver se conseguem identificar as mais sutis e precoces mudanças que podem levar ao câncer. Rob Bristow, de Manchester, afirmou que a estrutura funciona como "um banco de tecidos vivos fora dos pacientes".


Há, de todo modo, um risco de "sobrediagnóstico", já que nem sempre essas células levarão a um câncer e podem levar a um tratamento desnecessário contra uma doença que nunca chegaria a incomodar a pessoa, mas a expõe a uma abordagem com diversos efeitos colaterais. Além de serem extremamente precisos, os estudiosos também vão analisar os genes e o ambiente de pessoas que nasceram com câncer, a fim de identificar riscos do desenvolvimento da doença para cada indivíduo.(...) (Fonte: BBC Brasil)



4) Desigualdade na distribuição de mamógrafos e radiologistas no Brasil prejudica diagnóstico

Uma grande bandeira da campanha Outubro Rosa é estimular o autoexame e a mamografia de rastreio, que são ações fundamentais para o diagnóstico precoce da doença, o que possibilita o tratamento na fase inicial do câncer e aumenta as chances de cura. Mas, além da conscientização, um estudo recente do Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR) mostrou que nem tudo é perfeito. A pesquisa aponta que a desigualdade de distribuição de equipamentos de mamografia e até mesmo radiologistas no Brasil é alarmante.


O estudo, de 2019, publicado pelo CBR, intitulado "O Perfil do Médico Especialista em Radiologia e Diagnóstico por Imagem no Brasil", realizado em parceria com pesquisadores do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP, teve como objetivo principal traçar as características e a distribuição dos médicos especialistas em radiologia e diagnóstico por imagem no Brasil, assim como descrever a oferta de equipamentos, serviços e exames de diagnóstico por imagem nos setores público e privado da saúde em cada região do Brasil, além de comparar dados e apontar disparidades.


"O objetivo do CBR é fornecer dados e provocar reflexão. Pois a evidência científica deve nortear as discussões e proposições para o futuro da especialidade e para a garantia da saúde da população. Esse estudo buscou responder quantos são e onde estão os médicos brasileiros que se dedicam ao diagnóstico por imagem e apresenta dados sobre a capacidade de formação de especialistas e o cenário da oferta de equipamentos e exames no sistema de saúde público e privado. Também chamamos a atenção para o acesso da população aos exames de imagem, que apresenta grande discrepância no território nacional", esclareceu o presidente do CBR, dr. Alair Sarmet Santos.


Se considerarmos apenas a oferta no Sistema Único de Saúde (SUS), o número de mamógrafos disponíveis para atendimento na rede nacional é de 2.102 (1,3 aparelho para cada 100 mil habitantes). A região com a maior oferta de equipamentos é a Sudeste (847), enquanto a região Norte possui a menor oferta (145). São Paulo é o estado que conta com a maior disponibilidade de equipamentos do sistema público (402), enquanto o Amapá possui a menor (2).


Quanto aos equipamentos em relação ao número de usuários do SUS por unidade da federação, a menor densidade observada é no estado do Amapá (0,26), seguida dos estados do Acre (0,36) e do Maranhão (0,46). Já a Paraíba (2,28), o Rio Grande do Sul (1,96) e Santa Catarina (1,94) são os estados com a maior densidade.


A pesquisa também destaca que há desigualdade entre os setores público e privado, sendo o último mais favorecido proporcionalmente ao tamanho da população assistida pelo SUS e pelos planos e seguros de saúde. Com esses dados, os pesquisadores criaram um Indicador de Desigualdade Público-Privado, chamado de IDPP.


No caso dos mamógrafos, no Brasil como um todo, o IDPP é de 4,72, ou seja, usuários do setor privado (quem tem plano de saúde) têm à disposição 4,72 vezes mais mamógrafos do que a população que usa exclusivamente o SUS.


Mato Grosso do Sul (81,09), Acre (60,61) e Paraíba (53,62) são os estados que possuem os maiores índices de desigualdade público-privada. Já Amazonas (1,38), Santa Catarina (2,53) e Paraná (3,19) têm as menores discrepâncias público-privadas. (Fonte: Terra)

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