• Fábio Henrique Araújo

Diagnóstico 4.0 News - edição #20

Resumo semanal de notícias sobre Radiologia, Diagnóstico por Imagem & Saúde 4.0




1) Mamografia poderá servir para prevenção das doenças da mama e do coração


Há um forte argumento para que a mamografia se torne um “teste duplo” tanto para o rastreamento do câncer de mama como para a prevenção de doenças cardiovasculares (DCV), de acordo com uma nova revisão publicada no European Journal of Radiology. O rastreio do cancro da mama via mamografia pode detectar facilmente calcificações arteriais da mama (BACs) que estão associadas às DCV e servem como um biomarcador de imagem para a prevenção da doença, escreveu Rubina Manuela Trimboli, do departamento de ciências biomédicas da saúde da Università degli Studi di Milano, Milão, Itália, e colegas. 


"Assim, há uma forte razão para mamografia servir como um teste preventivo para além do rastreio do cancro da mama, destacando o coração e de forma mais abrangente sobre o risco CV", escreveram Trimboli e seus colegas. A equipe também revisou as evidências disponíveis sobre o tema, descobrindo que as mulheres com alcoolemia têm maior risco de DCV do que aquelas sem. Apesar disso, os autores descobriram que as calcificações “não alertam os radiologistas” e geralmente são descritas como “presentes”, com pouco ou nenhum impacto na tomada de decisão do CV. 


Dos 18 estudos publicados, nove relataram apenas a presença ou ausência de CBA, quatro utilizaram uma escala semi-quantitativa e cinco utilizaram uma escala contínua. Além disso, um estudo recente de quase 400 mulheres constatou que mais de 95% desejavam ter relatado o BAC e 107 que desconheciam sua história de DCV queriam que essas informações fossem relatadas.


Há mais do que algumas coisas que devem ser feitas antes que a mamografia possa estratificar com precisão o risco de DCV de um paciente com base nos BACs, observaram os autores. Para começar, deve haver mais evidências sobre a associação entre BACs e eventos de DCV. Isso começa com um método de quantificação BAC melhorado que supera a “limitação intrínseca da avaliação dicotômica” que os autores chamaram de “fator limitante forte”.


“Uma quantificação confiável e automatizada do BAC é indispensável e poderia ser a solução para contribuir para a estratificação do risco CV”, eles observaram. 

Uma campanha para melhorar a conscientização sobre os BACs entre radiologistas, cardiologistas, clínicos gerais e mulheres é um passo na direção certa, escreveram os autores. “Campanhas preventivas geralmente exigem grandes esforços, tanto sociais quanto econômicos, para serem implementadas”, escreveu a equipe. “Em uma fase histórica de grande atenção aos gastos em saúde, trabalhar em prol da utilização de CBA para prevenção de CV em mulheres, utilizando a infraestrutura de uma triagem já existente, implica que resultados importantes poderiam ser obtidos com custos relativamente limitados.” (Fonte: Health Imaging)



2) Regra de telemedicina deve ficar para 2020

A polêmica regulamentação sobre a prática da telemedicina no País deve ser apresentada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) só em 2020. A estimativa foi dada pelo conselheiro do CFM Aldemir Soares, relator da resolução publicada e revogada em fevereiro, após pressão da comunidade médica. Soares participou ontem do Estadão Summit Saúde 2019.


Após a resolução CFM 2.227/2018 ter sido revogada, o órgão abriu consulta pública. Segundo o conselheiro, o órgão está em um momento de eleições e a elaboração e anúncio devem ser realizados pelos futuros membros. "O novo corpo do conselho toma posse em 1.° de outubro e acredito que vai fazer a nova resolução. Mas deve sair no começo de 2020, porque o trabalho está praticamente pronto. Tem a resolução, que é a base, e todas as contribuições que já chegaram e foram compiladas de um jeito para que se analise", diz Soares. Segundo ele, o CFM já esperava grande repercussão sobre a norma, mas o volume de manifestações, superior a 2 mil, fez com que a regra voltasse a ser debatida. Presidente do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp), Mario Jorge Tsuchiya defendeu mais discussão. "É uma tecnologia extremamente cara e tem vários gêneros de telemedicina. Não tinha um item sobre educação médica, inclusive sobre formar novos profissionais."


Com base no que está permitido na telemedicina, que é a interação entre médicos, Cesar Biselli, coordenador de Inovação e Tecnologia do Hospital Sírio-Libanês, diz que é possível usar a estratégia com poucos recursos e beneficiar pacientes. "É a oportunidade de ter atendimento mais rápido. A tecnologia é o telefone e o acesso à internet, mas tem de colocar recursos humanos de alta qualidade." O evento também debateu temas como atenção primária e desafios da inovação na saúde em um País tão desigual. Um deles é a informatização dos prontuários médicos e a integração do setor. "Falta uma articulação maior, porque é possível fazer a troca de informações", avalia Luis Gustavo Kiatake, presidente da Sociedade Brasileira de Informática em Saúde. "O País é perfeito pela nossa diversidade, algo bom para inteligência artificial, porque conseguimos treinar algoritmos para aprender a tomar decisões inteligentes para vários grupos e não vão aumentar disparidades", diz o professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) Alessandro Chiavegatto Filho. (Fonte: Terra)



3) RSNA lança novo programa para melhorar o ensino de radiologia em todo o mundo

A RSNA anunciou o lançamento de um novo programa desenvolvido para melhorar a educação em radiologia e o atendimento a pacientes em países de baixa e média renda em todo o mundo. O programa RSNA Global Learning Centers (GLC) está programado para começar em 2020. "O programa Global Learning Centers oferece uma oportunidade única de desenvolver um programa educacional personalizado, com base nas necessidades e requisitos específicos da comunidade anfitriã", disse Umar Mahmood, MD, PhD, responsável pelo departamento de relações internacionais da RSNA para assuntos internacionais, em comunicado preparado . "Poderemos aproveitar uma riqueza de recursos da RSNA e fornecer uma equipe de voluntários dedicados para criar um currículo abrangente e dinâmico para o GLC".


O plano é que um departamento de radiologia estabelecido que precise de assistência seja selecionado como GLC a cada ano e que até três operem ao mesmo tempo. Espera-se que levem três anos para que um grupo de membros da RSNA trabalhe com cada GLC para desenvolver um plano educacional, “incluindo um currículo com treinamento prático, palestras didáticas, conferências, cursos on-line e outras ofertas educacionais”. Também será fornecida ajuda para cada local, conforme necessário. (Fonte: Radiology Business)



4) RM mostra que vaping compromete a função vascular


Segundo um estudo publicado em 20 de agosto na Radiology, os achados de exames de ressonância magnética mostram que o vaping afeta imediatamente a função vascular, mesmo quando a solução líquida contida no cigarro eletrônico (e-cigarette) não contém nicotina. Os resultados demonstram que, mesmo sem a nicotina, os cigarros eletrônicos são prejudiciais ao corpo, disse a principal autora, Alessandra Caporale, PhD, da Universidade da Pensilvânia, na Filadélfia, em um comunicado divulgado pela RSNA. "Esses produtos são anunciados como não prejudiciais, e muitos usuários de cigarros eletrônicos estão convencidos de que estão apenas inalando vapor de água", disse Caporale. "Mas os solventes, aromas e aditivos na base líquida, após a vaporização, expõem os usuários a múltiplos insultos ao trato respiratório e aos vasos sanguíneos."


E-cigarros entregam nicotina pelo aquecimento elétrico e aerossolização de uma solução com sabor, Caporale e seus colegas escreveram. Mais de 9 milhões de adultos americanos usaram o vape, de acordo com os pesquisadores, que citaram dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA. Mais preocupante é o fato de que o uso de cigarros eletrônicos se tornou predominante entre adolescentes: na verdade, as descobertas do National Youth Tobacco Survey do ano passado mostram que, em 2018, mais de 3,6 milhões de alunos do ensino fundamental e médio estavam usando vaping.

A solução líquida nos cigarros eletrônicos contém substâncias tóxicas potencialmente prejudiciais e, quando inaladas, essas substâncias entram nos alvéolos dos pulmões, são absorvidas pelos vasos sanguíneos e podem interferir na função vascular, escreveram Caporale e colegas. Os pesquisadores procuraram investigar os efeitos da vaping na função vascular sistêmica através da realização de um estudo que incluiu 31 adultos saudáveis ​​não fumantes (idade média de 24 anos) submetidos a exames de ressonância magnética antes e depois de vaping com um e-cigarro que não continha nicotina. A equipe usou a ressonância magnética para examinar a artéria femoral nas pernas dos participantes, bem como suas aortas e cérebros. Para o exame da artéria femoral, os pesquisadores constringiram e liberaram o fluxo sanguíneo dos participantes na parte superior da perna usando um manguito; a ressonância magnética do cérebro captou a imagem do seio sagital durante uma série de 30 segundos de respiração e respiração normal.


Caporale e seus colegas descobriram que um único episódio vaping cortou o fluxo sanguíneo e enfraqueceu a reatividade vascular na artéria femoral, com uma redução de 34% na dilatação mediada pelo fluxo (dilatação de uma artéria mediada pelo aumento do fluxo sanguíneo), uma redução de 17,5% no pico fluxo, e uma redução de 25,8% na aceleração do sangue. Quanto à aorta e ao cérebro, o grupo descobriu que o vaping causou um aumento de 3% na velocidade da onda de pulso aórtica - o que sugere enrijecimento aórtico - mas não houve mudanças estatisticamente significativas na reatividade cerebrovascular. Esses achados sugerem que vaping prejudica a função do endotélio.  No entanto, os pesquisadores notaram que mais pesquisas são necessárias. "Nosso estudo fornece uma visão mais aprofundada sobre os efeitos no endotélio de exalantes de cigarro eletrônicos detectáveis ​​por marcadores quantitativos de RM não invasivos", concluiu o grupo. "À luz desses resultados, seria desejável corroborar nossos achados em coortes maiores". (Fonte: Aunt Minnie)



5) Filmagem durante exames ou procedimentos. É permitido?

Hábito cada vez mais comum em hospitais e clínicas é a filmagem por parente ou terceiro do procedimento realizado pelo paciente, querendo ele registrar aquele fato, especialmente naqueles atos relacionados à gravidez. Indaga-se se é ou não permitido realizar a filmagem do exame; se o médico executante pode se negar a dela participar ou mesmo pode impedir a sua realização. Percebe-se, a toda evidência, não estar no escopo do serviço contratado pelo paciente a filmagem do ato, mas apenas a realização do exame livre de erros, com o emprego da melhor técnica existente.


Decerto, não existe norma ou regra que permita ou proíba esse tipo de prática, ficando a cargo do Direito comum, das regras civis, o esclarecimento de tal questão. Por um lado, tem-se o paciente que, ao pedir seja o ato filmado, autorizou sejam captadas imagens sobre esse ato íntimo e privativo. Sendo livre a sua vontade, pode permitir a gravação de sua imagem, não havendo qualquer impedimento de que seja realizada a filmagem por terceiro que tenha ele autorizado.


Por outro lado, devem-se resguardar os direitos do médico. Também é ele – assim como os outros integrantes da equipe – um ser dotado de personalidade, podendo opor-se à gravação de sua imagem e voz. Mais ainda, é o médico a autoridade presente na sala cirúrgica ou na sala de exames, podendo rechaçar condutas que possam influenciar negativamente o ato médico, em prejuízo do procedimento e/ou do próprio paciente. Há, por exemplo, risco de contaminação do ambiente, elevando o risco de infecção, ou mesmo pode ocorrer prejuízo na concentração para a realização de um determinado exame que seja operador-dependente.


Dessa forma, não é o médico obrigado a aceitar a filmagem do ato médico, embora não haja proibição de que tal ato seja executado. Cabe às partes envolvidas ajustarem as condições desse tipo de conduta, permitindo-se ou não a sua prática. Em parecer emitido no PROCESSO-CONSULTA CFM N.º 0309/99PC/CFM/Nº 41/1999, essa foi a conclusão a que chegou o Conselho Federal de Medicina: “Não vislumbramos impedimento ético formal para a filmagem na sala de parto, desde que a pedido do paciente/ou familiar e a autorização dos profissionais envolvidos no ato, ressalvadas as disposições regimentais da instituição”. Assim, orienta-se seja avisado o paciente previamente, quando possível, da permissão ou não da filmagem do ato, para que possa ele optar em realizar o seu procedimento no local que melhor lhe aprouver.


Recomenda-se também seja instituída uma política da própria instituição sobre esse assunto, com regras que visem a proteção de sua equipe e de seus pacientes, o que trará transparência e clareza na adoção de condutas que permitam ou não a filmagem do procedimento, quando autorizado pelo paciente. (Fonte: CBR)

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