• Fábio Henrique Araújo

Diagnóstico 4.0 News - edição #18

Resumo semanal de notícias sobre Radiologia, Diagnóstico por Imagem & Saúde 4.0




1) OMS divulga lista de exames essenciais para prevenir e tratar doenças


A Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou recentemente a segunda versão da sua Lista de Exames Essenciais, um compêndio de testes laboratoriais que deveriam estar acessíveis a todas as pessoas. Eles abrangem diagnóstico, monitoramento de doenças prevalentes e métodos para atestar a segurança de doações de sangue. Esse documento visa ajudar a estabelecer políticas públicas de saúde em cada país. A primeira edição estava mais concentrada em doenças historicamente prioritárias, como HIV, diabetes, colesterol alto, malária e hepatite. Agora, 115 exames foram incluídos no rol, considerando outras condições, com destaque para o câncer. No total, são 228.


A entidade incluiu 12 testes para flagrar tumores malignos e determinar características moleculares de cada um. Isso é importante para definir o tratamento e a agressividade do problema. “O câncer é uma grande preocupação, uma vez que a população está envelhecendo e, com isso, torna-se mais suscetível a ele”, destaca o patologista Wilson Shcolnik, presidente da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML).


Um dos testes incluídos na lista da OMS, por exemplo, ajuda a rastrear o tumor de próstata, o mais prevalente em homens depois do de pele. O método é batizado de PSA e mede, em uma pequena porção de sangue, moléculas produzidas pela glândula, que podem estar alteradas na presença da doença. Outra inclusão notável é a pesquisa de sangue oculto nas fezes. Ela levanta a suspeita para o câncer colorretal, um tipo da doença que está em crescimento no mundo, possivelmente por causa do estilo de vida moderno. Funciona assim: uma amostra de cocô é colocada em um potinho para verificar, no laboratório, resquícios de sangramento e outras alterações que levantam a suspeita para o câncer colorretal. A técnica não confirma o diagnóstico, mas reduz em algumas pessoas a necessidade de realizar investigações invasivas, como a colonoscopia. “É um exame simples e barato, que pode ser feito em laboratórios de qualquer porte”, destaca Shcolnik.


Apesar de acessível, a pesquisa de sangue oculto nas fezes ainda não caiu no gosto popular. Em 2018, o A.C.Camargo Cancer Center, uma referência em oncologia, publicou um estudo sobre o tema, revelando que 45% das pessoas interessadas no exame levam o potinho, porém nunca voltam para entregar a amostra. Daí a importância de reforçar a necessidade dele e de outros da lista. O rol de exames para condições prevalentes em países de baixo ou médio nível socioeconômico (caso do Brasil) também cresceu. Anemia ferropriva, cólera, leishmaniose, esquistossomose, dengue e zika agora são contempladas com exames na lista. Testes que permitem encontrar o vírus influenza, da gripe, a partir de uma amostra de secreção nasal também foram adicionados. Eles são indicados para locais onde não há laboratório para analisar o sangue.


Falando no vírus da gripe, uma das novidades é a recomendação de monitorar sua presença nas transfusões sanguíneas para evitar infecções. Para Shcolnik, o documento ajuda a reforçar a importância de investir esforços para flagrar e tratar mais cedo problemas que fazem estragos e podem permanecer silenciosos por anos. “Temos vivido um tempo no Brasil onde há insuficiência de recursos para exames na rede pública e uma tendência de desvalorização dos mesmos”, declara o médico.


“A lista da OMS trata de métodos simples e baratos para flagrar doenças muito prevalentes, como o colesterol alto e o diabetes tipo 2, que ainda é desconhecido por 46% de seus portadores”, aponta. Como o uso indiscriminado de alguns exames também é discutido atualmente na comunidade científica, a saída deve ser a do equilíbrio. Até por isso, a OMS recomenda que a aplicação da lista considere com cuidado a população daquele lugar, seu padrão de doenças, os recursos disponíveis, o treinamento dos profissionais de saúde e outros fatores ambientais. Ou seja, os países não são obrigados a seguir esse documento de cabo a rabo – mas sim adaptá-lo ao seu contexto.

Só não dá para deixar o laboratório de lado. (Fonte: Saúde)



2) Exame genético reduz em 70% as sessões de quimioterapia para câncer de mama


Um estudo científico brasileiro inédito foi premiado no XXII Congresso Brasileiro de Mastologia, realizado entre os dias 10 e 13 de abril, no Rio de Janeiro. Nele, ficou comprovado que o exame genético Oncotype DX é capaz de detalhar o risco de agressividade do câncer mamário, possibilitando uma previsão sobre a resposta do tumor aos tratamentos disponíveis e, consequentemente, a decisão terapêutica mais adequada para cada caso.


O exame analisa os tipos de cânceres de mama ao avaliar a expressão de um conjunto de genes associados a esses tumores. O teste é realizado no tecido tumoral da mama através de técnicas de biologia molecular e análises de expressão gênica por meio de algoritmo matemático que revelam as características do tumor.

Com isso, é possível verificar um enorme avanço nos campos de prognóstico, monitoramento e escolha do tratamento. E, com essa nova tendência de medicina personalizada é possível gerar um resultado que auxilia a guiar, de forma individual, a decisão terapêutica.


O exame genético Oncotype DX foi utilizado no estudo internacional TAILORx (Trial Assigning IndividuaLized Options for Treatment). Esse teste foi conduzido pelo Instituto Nacional do Câncer norte-americano com mais de 10 mil mulheres dos Estados Unidos, Austrália, Canadá, Irlanda, Nova Zelândia e Peru. A pesquisa, apresentada em junho de 2018 no Congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), em Chicago, nos Estados Unidos, apontou que ao menos 70% dos casos diagnosticados com câncer de mama em estágio inicial não precisariam de quimioterapia e poderiam ser tratados com hormonioterapia.


Os resultados contrapõem a recomendação médica padrão de prescrever quimioterapia para todas as mulheres diagnosticadas com tumores com tamanho igual ou superior a um centímetro. Isso ocorre em razão da dificuldade de predizer se os casos de câncer encontrados evoluiriam de forma agressiva ou não. “A pesquisa comprovou que, na grande maioria dos casos, o resultado do teste diagnóstico possibilita mudanças na indicação do tratamento que trazem uma grande melhoria na qualidade de vida das pacientes pela redução dos efeitos colaterais e das toxicidades decorrentes da quimioterapia”, explica Edgar Rizzatti, diretor executivo Médico e Técnico do Grupo Fleury.


Cento e onze pacientes do Hospital Pérola Byington, localizado em São Paulo, com câncer de mama em estágio inicial foram indicadas para a realização do teste genômico Oncotype DX em 2018. O hospital foi responsável pela coleta do material captado dos tumores das pacientes operadas na unidade e o Grupo Fleury conduziu a fase pré-analítica das amostras e o direcionamento para o processamento do exame no Genomic Health, nos Estados Unidos. 


Antes da realização do teste, 109 das 111 pacientes tinham, por critérios clínicos, indicação de quimioterapia. Após a realização do exame, houve redução do número de indicações de quimioterapia em 69,7% das pacientes (76 das 109). Ao invés da quimioterapia, essas mulheres estão sendo tratadas com hormonioterapia e, algumas delas, com radioterapia.  Ao retirar as pacientes do tratamento com quimioterapia, a iniciativa proporcionou uma economia equivalente a R$ 420 mil ao hospital.  Isso sem levar em conta os custos indiretos decorrentes, como o afastamento das pacientes do mercado de trabalho, os efeitos colaterais e as possíveis sequelas do tratamento. Aliás, não houve efeito colateral, pois o teste é realizado a partir de um fragmento do tumor retirado da paciente.


Esse estudo inédito comprova que, na grande maioria dos casos, o resultado do teste diagnóstico possibilita mudanças na indicação do tratamento. E essa mudança traz uma grande melhoria na qualidade de vida das pacientes pela redução dos efeitos colaterais e das toxicidades decorrentes da quimioterapia. “Para a medicina, esse estudo representa um enorme avanço nos campos de prognóstico, monitoramento e escolha do tratamento. Dentro da tendência de medicina personalizada é gerado um resultado que auxilia a guiar, de forma individual, a decisão terapêutica”, afirma Luiz Henrique Gebrim, mastologista e diretor do Hospital Pérola Byington. (Fonte: PEBMED)



3) TST valida norma sobre exposição de empregados a raio-X móvel


Na última quinta-feira, 1º, o TST reconheceu a validade de norma do extinto ministério do Trabalho e firmou entendimento no sentido de que não é devido o adicional de periculosidade aos empregados de hospitais que permanecem em áreas comuns, como emergências e leitos de internações, durante o uso de equipamento móvel de raio-X. O entendimento, fixado em julgamento de recurso repetitivo, deverá ser aplicado a todos os demais processos em tramitação na JT que tratam do tema.


Em 2003, o ministério do Trabalho editou a portaria 518, que assegura o pagamento do adicional de periculosidade a empregados que operam aparelhos de raio-X e de radiação gama, beta ou de nêutrons, sem excluir o manuseio ou a exposição a aparelhos móveis de raio-X. Em 2015, a pasta editou a portaria 595, que incluiu nota explicativa na norma anterior para não considerar perigosas atividades desenvolvidas em áreas que utilizam equipamentos de raio-X móvel para diagnóstico médico – como emergências salas de recuperação, leitos de internação, unidades de tratamento intensivo, etc. Conforme a portaria 595/15, tais áreas não são classificadas como salas de irradiação.


No caso analisado pelo TST na última quinta, uma auxiliar de enfermagem ajuizou ação contra hospital de Porto Alegre/RS pedindo o recebimento do adicional de periculosidade. Segundo a autora, um laudo pericial demonstrou que as atividades foram exercidas em condições de periculosidade em virtude de radiações ionizantes no centro cirúrgico, na emergência e nas salas de tomografia. Em sua defesa, o hospital afirmou que a exposição à radiação se dava de forma eventual. O TRT da 4ª região julgou improcedentes os pedidos da auxiliar.


Ao analisar recurso de revista da trabalhadora, a 7ª turma do TST acolheu proposta de instauração de incidente de recurso repetitivo e remeteu o caso à SDI-1. O relator, ministro Augusto César convocou audiência pública com a participação de especialistas como físicos, cientistas nucleares, engenheiros, especialistas em medicina e saúde do trabalho, juristas e representantes do Ministério do Trabalho para tratar da controvérsia.

Ao analisar o caso na última quinta-feira, 1º, o ministro afirmou que embora não haja inconstitucionalidade ou ilegalidade na norma, não é possível afastar de pronto a existência de risco à exposição a radiações ionizantes no caso de manuseio de aparelhos móveis fora das salas de raio-X.


Conforme o ministro, o adicional de periculosidade é devido a todos os empregados expostos permanentemente ou de forma intermitente à radiação proveniente do aparelho no momento do disparo do equipamento em áreas livres quando não se observarem as medidas de proteção coletiva e individual previstas nas normas técnicas que tratam da matéria, mediante apuração em perícia. Ele ainda pontuou em seu voto que a portaria 595/15 tem aplicabilidade apenas a partir da sua publicação. O entendimento foi seguido pelos ministros José Roberto Pimenta, Hugo Scheuermann, Cláudio Brandão, Lelio Bentes Corrêa e Vieira de Mello Filho.


A ministra Maria Cristina Peduzzi abriu divergência no sentido de que a norma do extinto ministério do Trabalho não padece de inconstitucionalidade ou de ilegalidade. Portanto, conforme a ministra, não é devido o adicional de periculosidade ao trabalhador que, sem operar o equipamento móvel de raio-X, permaneça de forma habitual, intermitente ou eventual nas áreas de seu uso. Segundo a magistrada, os efeitos da portaria 595/15 alcançam as situações anteriores à data de sua publicação. A tese foi seguida pela maioria dos ministros. (Fonte: Migalhas)



4) Amazon empresta tecnologia de IA para avançar detecção de doenças


A Amazon anunciou que a divisão de nuvem Web Services vai emprestar tecnologia de inteligência artificial e machine learning para o Pittsburgh Health Data Alliance (PHDA), instituto de pesquisa da Universidade de Pittsburgh para ajudar no desenvolvimento de novas tecnologias em torno do diagnóstico de pacientes e monitoramento de doenças. De acordo com a Fast Company, a parceria tem como principal objetivo combinar as grandes quantidades de dados de saúde em um esforço para encontrar melhores maneiras de tratar pacientes.


Swami Sivasubramanian, vice-presidente de machine learning da Amazon Web Services acredita que machine learning pode acelerar o processo de pesquisa médica além de ajudar a traduzir esses avanços em tratamentos. A Amazon tem investido cada vez mais na saúde pública. No ano passado, a empresa comprou a PillPack, rede farmacêutica sem lojas físicas, por US$ 753 milhões, e este ano deu à Alexa a capacidade de transmitir dados de saúde do paciente.


O PHDA deve usar os recursos de machine learning da Amazon Web Services para diagnósticos de saúde mental de pacientes analisando seu comportamento. Eles também estão trabalhando no desenvolvimento de pontuações de risco individuais para pacientes com câncer e mapeando como os tumores crescem e mudam com o tempo. (Fonte: IT Mídia)



5) RSNA e ACR lançarão registro de dados clínicos para impressão 3D em radiologia


A RSNA e o Colégio Americano de Radiologia (ACR) estão lançando um novo registro de dados clínicos para coletar dados de impressão 3D usados ​​em radiologia. O registro, programado para ser lançado no outono de 2019, será gerenciado por um comitê conjunto da ACR-RSNA e hospedado pelo sistema de Registro Nacional de Radiologia da ACR. Um de seus principais objetivos é destacar a importância da impressão 3D para a radiologia, de acordo com uma declaração preparada . Este foi um desafio para a especialidade no passado devido à “rica diversidade de indicações clínicas, as diferentes tecnologias para gerar modelos físicos a partir de imagens médicas e a complexidade dos modelos”.


"A criação do Registro de Impressão 3D RSNA-ACR conjunto é essencial para o avanço da impressão 3D clínica", William Weadock, MD, professor de radiologia na Universidade de Michigan em Ann Arbor e presidente do Grupo de Interesse Especial de Impressão 3D da RSNA ( SIG), disse no comunicado. "O registro nos permitirá coletar dados em apoio ao uso apropriado dessa tecnologia e seu valor na tomada de decisões clínicas, e essa colaboração entre a RSNA e a ACR mostra a importância da impressão 3D para a radiologia".


“Modelos médicos e guias cirúrgicos foram impressos em 3D por mais de uma década, como aplicações de nicho - e sem códigos CPT,” Frank Rybicki, MD, PhD, presidente do Comitê ACR sobre Critérios de Adequação e presidente fundador da RSNA 3D Printing Special Interest Group , disse em uma declaração preparada. “Por exemplo, os prestadores de cuidados craniomaxilofaciais geralmente aceitam que a impressão 3D é valiosa e integral para o atendimento ao paciente. No entanto, ao solicitar códigos CPT, ficou claro que essa "aceitação geral" não possuía literatura revisada por pares para demonstrar valor. Esse registro fornecerá dados para avaliar o valor dessa subespecialidade ”. O suporte financeiro para a colaboração foi fornecido pela Formlabs, HP, Materialize e Stratasys. (Fonte: Radiology Business)

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