• Fábio Henrique Araújo

Diagnóstico 4.0 News - edição #13

Resumo semanal de notícias sobre Radiologia, Diagnóstico por Imagem & Saúde 4.0




1) Amil lança atendimento por videoconferência à revelia do CFM

A Amil lança nesta segunda (8) um atendimento médico por videoconferência a despeito de o CFM (Conselho Federal de Medicina) vetar consultas a distância, tema alvo de polêmica no país. O serviço virtual será prestado pela equipe do Hospital Albert Einstein (SP). É destinado aos 180 mil clientes da linha premium da operadora (Amil One) e vai funcionar 24 horas, sete dias por semana. Segundo Claudio Lottenberg, presidente do UnitedHealth Group Brasil, controlador da Amil, o serviço deve ser expandido a outras categorias de planos conforme a demanda e os resultados da primeira fase de implantação. O objetivo é atender queixas de baixa complexidade, como gripe, resfriado, tosse, dor de garganta, diarreia, náusea, alergia, dores nas costas e de cabeça. Caso julgue necessário, o médico recomendará atendimento presencial.


De acordo com Lottenberg, o objetivo não é restringir consultas presenciais, mas sim trazer uma ferramenta de comodidade ao usuário, evitando deslocamentos desnecessários e facilitando o atendimento médico em caso de viagens, por exemplo. Maior operadora do país, com mais de 4 milhões de usuários, a Amil, com a iniciativa, toma a dianteira na polêmica que cerca a ampliação dos serviços de telemedicina desde fevereiro, quando o CFM apresentou resolução que permitia consultas, diagnósticos e cirurgias a distância. O texto, que chegou a ser publicado no Diário Oficial da União, previa a possibilidade de consultas pela internet após o primeiro atendimento presencial ou em casos de áreas remotas. Porém, críticas de conselhos regionais de medicina sobre a definição de quais seriam essas áreas, além do temor de banalizar as consultas online e afastar médicos e pacientes, acabaram fazendo com que a norma fosse revogada. Agora, o conselho recolhe até o dia 31 deste mês sugestões para que uma nova versão possa ser elaborada. Ainda não há previsão de quando o novo texto será apresentado. Nova versão do Código de Ética Médica, publicada em abril último, manteve o veto às consultas virtuais.


Questionado se o novo serviço da Amil não fere regras do CFM, Lottenberg diz que não há nada de ilegal na iniciativa. “No Brasil não há nenhuma lei que proíba expressamente a prática. Ao contrário, a Constituição brasileira assegura ao médico o livre e responsável exercício da prática profissional. Segundo ele, as discussões no CFM em torno da resolução da telemedicina precisam evoluir. “O atendimento virtual é uma evolução da medicina. [a resolução] Foi decidida de uma forma, depois teve um imbróglio de natureza política e essas questões políticas travam o país. Para Lottenberg, o conselho deveria estar focado em dois aspectos principais que envolvem a telemedicina, a segurança dos dados de saúde do paciente e a qualidade do serviço prestado. São duas preocupações permanentes nossa e estarão presentes [no novo serviço]. Estamos trabalhando com um grupo restrito de usuários e com um parceiro, o Einstein, que tem tradição e sabe fazer isso. Telemedicina não é para médico inexperiente, é para médico bem formado, afirma. O serviço de telemedicina do Einstein existe desde 2012 e oferece atendimentos virtuais em diversas áreas voltados a pacientes (reeducação alimentar e cessação do tabagismo, por exemplo), empresas (seguimento de pacientes crônicos) e hospitais (como urgência e emergência, teleoncologia e teleneurologia).


A telemedicina já esta acontecendo principalmente para quem tem recurso. Quem não tem acesso, é porque não tem recurso. A sociedade quer isso. Imagina o quanto essa ferramenta ajudaria o país. Procurado para opinar sobre o novo serviço da Amil, o CFM preferiu se manifestar por meio de nota. Diz que o atendimento presencial e direto do médico em relação ao paciente é regra para a boa prática médica prevista no Código de Ética Médica. O CFM, como ente autorizado a disciplinar o exercício da medicina, reitera sua percepção de que o exame médico presencial é a forma eficaz e segura de se realizar o diagnóstico e o tratamento de doenças, diz a nota. O conselho afirma que trabalha para a atualização da norma de 2002 que trata da prática da telemedicina. Até a aprovação de novas regras, as que estão em vigor devem ser observadas pelos profissionais e estabelecimentos de saúde, sendo que o desrespeito deverá ser alvo de apuração e outras providências, diz o comunicado.


No Estado de São Paulo, 82,6% dos médicos já usam tecnologias no dia a dia para a assistência aos pacientes, segundo pesquisa da APM (Associação Paulista de Medicina) e do Global Summit Telemedicine & Digital Health. A maioria (78,69%) é favorável à utilização do WhatsApp e ferramentas semelhantes na relação com os pacientes. No vácuo da regulação, médicos e pacientes estão expostos a situações de risco, desde o vazamento de dados nas mídias sociais até erros de interpretação da conduta médica sugerida pelo profissional. (...) (Fonte: Folha SP)


2) Pouca massa muscular em idosos pode indicar risco de morte


Avaliar a composição corporal de pessoas com mais de 65 anos – particularmente a massa muscular localizada nos braços e nas pernas (apendicular) – pode ser uma estratégia eficaz para estimar a longevidade, mostrou um estudo feito na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Os resultados da pesquisa, apoiada pela FAPESP, foram divulgados no Journal of Bone and Mineral Research. 


Depois de acompanhar um grupo de 839 idosos ao longo de aproximadamente quatro anos, os pesquisadores observaram que o risco de mortalidade geral durante o período foi quase 63 vezes maior entre as mulheres com pouca massa muscular apendicular. Entre os homens que já na primeira avaliação apresentavam baixa porcentagem de músculos nos membros, a chance de morrer foi 11,4 vezes maior. “Avaliamos a composição corporal da nossa população, com ênfase na massa muscular apendicular, gordura subcutânea e gordura visceral. Em seguida, buscamos identificar quais desses fatores poderiam predizer a mortalidade nos anos seguintes. A quantidade de massa magra nos membros superiores e inferiores foi o que mais se destacou na análise”, disse Rosa Maria Rodrigues Pereira professora da Disciplina de Reumatologia da FMUSP e coordenadora da pesquisa, à Agência FAPESP.


Os voluntários foram examinados por uma técnica conhecida como densitometria por emissão de raios X de dupla energia (DXA, na sigla em inglês). O equipamento foi adquirido com auxílio da FAPESP durante um projeto anterior coordenado por Pereira, cujo objetivo era avaliar a prevalência de osteoporose e de fraturas em idosos residentes no bairro do Butantã, zona oeste da capital paulista. Em ambos os projetos foi estudada a mesma população acima de 65 anos. “Selecionamos os voluntários com base nos dados do censo do IBGE [Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística]. Trata-se de uma amostra representativa da população de idosos do Brasil”, disse Pereira. Na análise final foram incluídos 323 (39%) homens e 516 mulheres (61%). A frequência de baixa massa muscular nessa amostra foi em torno de 20% em ambos os sexos. (...) (Fonte: Interação Diagnóstica)


3) Facebook vai monitorar informações sensacionalistas sobre saúde

O Facebook vai tomar medidas para monitorar posts sobre informações médicas ou relacionadas à saúde. A decisão vem na esteira de uma reportagem que revelou que a rede social e o YouTube estão cheios de informações potencialmente prejudiciais sobre tratamentos alternativos para o câncer. O Wall Street Journal realizou uma investigação sobre as duas plataformas, o que levou o Facebook a abordar a situação em um blog na terça-feira. O WSJ descobriu que as informações equivocadas às vezes apareciam ao lado de anúncios, vídeos ou páginas de tratamentos comprovados.


Em um post na terça-feira, o Facebook disse que no mês passado fez duas alterações em seus algoritmos de classificação para reduzir posts com informações sobre saúde exageradas ou sensacionalistas e os que tentam vender produtos ou serviços baseados em temas relacionados à saúde. A empresa disse que trata o tema de maneira semelhante à sua estratégia para o conteúdo de baixa qualidade: identificando frases comumente usadas nos posts e exibindo-as mais abaixo no feed de notícias.


Empresas de tecnologia tentam cada vez mais combater a proliferação de conteúdo duvidoso relacionado à saúde em seus sites, como também eliminar o discurso de ódio e a desinformação política. (Fonte: Exame)


4) Pesquisa científica reduz em 70% indicação de quimioterapia em mulheres com câncer de mama

Estudo científico inédito do Centro de Referência de Saúde da Mulher – Hospital Pérola Byington e Grupo Fleury aplicado em 111 mulheres diagnosticadas com câncer de mama recebeu prêmio Jorge Marsillac durante o XXII Congresso Brasileiro de Mastologia, no Rio de Janeiro. Trata-se da primeira parceria do Grupo Fleury com uma instituição da rede pública para fins de pesquisa diagnóstica em câncer e também da primeira pesquisa na América Latina envolvendo o Oncotype DX com dados reais da população brasileira.

Cento e onze pacientes do Hospital Pérola Byington, com câncer de mama em estágio inicial, foram indicadas para a realização do teste genômico Oncotype DX – desenvolvido pela norte-americana Genomic Health e distribuído pelo Grupo Fleury no Brasil. O exame é capaz de detalhar o risco de agressividade do câncer mamário, possibilitando uma previsão sobre a resposta do tumor aos tratamentos disponíveis e, consequentemente, a decisão terapêutica mais adequada para cada caso.


Antes de o teste ser realizado, 109 das 111 pacientes tinham, por critérios clínicos, indicação de quimioterapia. Após a realização do exame, houve redução do número de indicações de quimioterapia em 69,7% das pacientes (76 das 109). Ao invés da quimioterapia, essas mulheres estão sendo tratadas com hormonioterapia e, algumas delas, com radioterapia.

Os resultados do estudo, ao retirar as mulheres do tratamento com quimioterapia, proporcionaram economia equivalente a R$ 420 mil ao Hospital. “Com a amostragem apresentada foi possível comprovar o custo-efetividade de um diagnóstico personalizado em câncer de mama para a cadeia de saúde de modo geral”, afirma o professor Luiz Henrique Gebrim, mastologista e diretor do Hospital Pérola Byington. A economia estimada pela Instituição não leva em consideração custos indiretos decorrentes, por exemplo, de afastamento do mercado de trabalho, efeitos colaterais e possíveis sequelas do tratamento.


O câncer de mama é o tipo de tumor mais frequente entre as mulheres no Brasil e no mundo. No País, a estimativa é de 59,7 mil novos casos de câncer de mama por ano, sendo cerca de 16,3 mil no Estado de São Paulo. “Na grande maioria dos casos, o resultado do teste diagnóstico possibilita mudanças na indicação do tratamento que trazem uma grande melhoria na qualidade de vida das pacientes pela redução dos efeitos colaterais e das toxicidades decorrentes da quimioterapia”, afirma o diretor executivo Médico e Técnico do Grupo Fleury, Edgar Rizzatti.  A parceria do Grupo Fleury com o Hospital Pérola Byington teve início em agosto de 2018 com a identificação das pacientes elegíveis. O Hospital foi responsável pela coleta do material captado dos tumores das pacientes operadas na unidade e o Grupo Fleury conduziu a fase pré-analítica das amostras e o direcionamento à Genomic Health para o processamento do exame nos Estados Unidos. As equipes médicas e científicas das organizações puderam discutir individualmente cada caso diagnóstico.


Depois do reconhecimento da comunicada médica e da condecoração ao estudo pelo prêmio Jorge Masillac, referência na área de mastologia, mais duas instituições públicas também firmaram parceria junto ao Grupo Fleury para a continuidade da pesquisa por meio do exame Oncotype DX em pacientes com câncer de mama: a Santa Casa de São Paulo e o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP). (Fonte: Atualiza Bahia)


5) Médicos estão testando novo dispositivo que pode detectar o câncer em poucos minutos com um simples teste de respiração


Um teste de respiração que detecta o câncer em apenas sete minutos pode estar em uso dentro de dois anos, quando começa os testes clínicos na Grã-Bretanha. O teste usa um 'nariz eletrônico' capaz de detectar produtos químicos produzidos por cânceres. Os testes em humanos devem ocorrer neste outono em dois hospitais do NHS e dois nos EUA, envolvendo centenas de pacientes.


Os testes não invasivos, inicialmente direcionados para o câncer de pulmão, verão os pacientes respirando por um bocal por um minuto, com as análises sendo enviadas a um supercomputador. O dispositivo detecta produtos químicos produzidos por cada câncer, conhecidos como "compostos orgânicos voláteis", e pode ajudar a detectar o câncer em estágios iniciais. 


Os testes oferecem um alto nível de precisão trabalhando nos níveis de 'nanopartículas', dizem os especialistas. A Ancon Medical, que está por trás da tecnologia, disse que os kits podem estar disponíveis dentro de dois anos se os testes forem bem-sucedidos. O Dr. Kenny Livingstone, da Zoomdoc, disse que os testes foram "revolucionários" e "mudou o jogo para os pacientes". (Fonte: Daily Mail)



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