• Fábio Henrique Araújo

Diagnóstico 4.0 News - edição #12

Resumo semanal de notícias sobre Radiologia, Diagnóstico por Imagem & Saúde 4.0




1) Médicos brasileiros fazem cirurgia intrauterina inédita no mundo


Um procedimento inédito no mundo para corrigir uma má-formação congênita em um feto de 33 semanas, ainda no útero da mãe, foi feito no Hospital da Criança e Maternidade de São José do Rio Preto, no interior paulista, neste mês de junho. O feto com gastrosquise – abertura no abdômen que permite que órgãos, normalmente o intestino, se desenvolvam do lado de fora – foi operado pela técnica de fetoscopia. Até então, o paciente era operado logo após o nascimento. O procedimento foi apresentado nesta semana no Congresso Mundial de Medicina Fetal, em Alicante, na Espanha. No Brasil, a cada 2 mil bebês, um nasce com essa má-formação.


Os médicos precisaram de uma hora e 40 minutos para fazer o procedimento. A técnica de fetoscopia é similar a uma laparoscopia, não sendo uma cirurgia aberta e, portanto, minimamente invasiva. São feitas quatro pequenas incisões na barriga da mãe por onde eles introduzem os instrumentos para ver o interior do útero e corrigir a má-formação. Eles recolocaram o intestino no abdômen do feto e fecharam a parede abdominal. Após 48 horas da cirurgia, apesar de mãe e feto estarem bem, foi verificado durante um ultrassom de controle que parte do intestino saiu por uma pequena abertura e os médicos optaram pelo tratamento convencional, realizando o parto.


O médico Gustavo Henrique de Oliveira explicou que a sutura estava intacta, mas avaliou que uma passagem estreita, em torno de 3 milímetros, ao lado do cordão umbilical, fez com que as alças intestinas saíssem novamente. “Nós tomamos um cuidado muito grande durante a cirurgia de não fazer uma sutura muito próxima do cordão porque poderia comprometer a circulação do cordão umbilical”, disse.


Oliveira disse que a ocorrência não implica em um insucesso do procedimento, pois o parto foi feito dentro do protocolo do tratamento convencional, em torno da 34ª semana, e agora eles avaliam, apesar da persistência da abertura, ganhos para a bebê após o nascimento. “Parece que a evolução da bebê está sendo um pouco superior, sim, mas não tenho como te responder isso de maneira mais concreta”, ponderou.


Também participaram do procedimento, médicos do Hospital Albert Einstein, de São Paulo; Universidade de Taubaté; e do Hospital de Baia Blanca, da Argentina. “[Com a cirurgia após o nascimento,] esses bebês levam muito tempo para conseguir se alimentar. Muitas vezes esse intestino nasce meio que paralisado ou muito inflamado e leva muito tempo até que eles consigam se alimentar por boca. Dependem de alimentação parenteral, muito tempo de internação de UTI e de internação hospitalar. Pela técnica tradicional, a gente tinha um tempo de internação média em torno de 30 dias”, explicou Oliveira.


Com o aperfeiçoamento dessa técnica, a cirurgia intrauterina representará benefícios em relação ao procedimento convencional. Entre elas, o fato de que a operação é feita no ambiente mais “estéril possível”, ainda no útero materno, diminuindo o risco de infecção. Outra vantagem é o nascimento de um bebê já sadio, que poderá, por exemplo, mamar diretamente no seio da mãe e ter alta hospitalar em dois ou três dias. Além disso, há os aspectos emocionais relacionados à mãe, pois ela poderá estar com o bebê desde os primeiros momentos de vida dele.


A cirurgia ainda não está disponível de forma ampla a qualquer paciente. “Isso demanda um treinamento técnico muito intenso e uma estrutura física que não é qualquer hospital que terá. Como toda técnica nova ela demanda uma série de aperfeiçoamento e de mais experiência para que isso possa ser disseminado”, explicou Oliveira. Ele destacou que, para esse procedimento, foram mobilizadas diferentes equipes com expertises diferenciadas. A escolha do Hospital da Criança, por exemplo, se deu por ser uma unidade com experiência na técnica tradicional de gastrosquise. (Fonte: Isto É Dinheiro)


2) Novos usos para impressão 3D via sistema PACS


A impressão 3D pode fazer uso das imagens armazenadas pelo Sistema de Arquivamento e Comunicação de Imagens (Picture Archiving and Communication System - PACS) para inúmeras aplicações na Saúde. Mais conhecida por sua capacidade de criar próteses de baixo custo, a técnica vem sendo refinada e já permite outros tipos de usos, como a construção de protótipos para treinamento de equipes antes de procedimentos cirúrgicos de alto risco.


Um exemplo ocorreu em 2019 no Belfast City Hospital, na Irlanda do Norte. Uma jovem mãe de 22 anos precisava de um transplante de rim e seu pai se apresentou para doar. Os órgãos eram compatíveis, mas o homem tinha um tumor benigno no rim, visualizado pela tomografia. A agilidade cirúrgica de retirar, extrair o tumor e implantar o rim na paciente, no entanto, exigiria uma destreza incomum. A partir do modelo 3D gerado pela tomografia, então, os médicos produziram uma cópia em tamanho real do rim. Com ela, ensaiaram, combinaram e propuseram soluções para tudo o que poderia dar errado. A cirurgia foi um sucesso.


Bruno Aragão, médico radiologista e especialista em impressão 3D, destaca que a grande vantagem dos biomodelos em casos como o do Belfast City Hospital é permitir que a equipe cirúrgica se familiarize com a anatomia, simulando os procedimentos antes da cirurgia. Ela ainda permite que sejam escolhidos os tamanhos e tipos de materiais que serão usados, como parafusos, placas, pinças, pois os modelos em escala real permitem que se treinem os encaixes. “Aumento da confiança e redução de tempo cirúrgico são benefícios muito relatados nos artigos científicos sobre a prática”, destaca.  


Aragão explica que a técnica, também conhecida como biomodelo, depende de algumas etapas. Em primeiro lugar, é necessário manipular as imagens seccionais de uma tomografia computadorizada para selecionar a região ou órgão a ser representado em 3D. Essa etapa depende tanto de conhecimentos  anatômicos quanto de familiaridade com recursos gráficos. “Existem softwares específicos que permitem a realização desta segmentação e que exportam a área selecionada em um formato de arquivo gráfico passível de impressão 3D, mas cada vez mais esta funcionalidade vem sendo incorporada pelo PACS.” 


A qualidade das imagens armazenadas no sistema, além da funcionalidade de visualização 3D, permitem a ampliação da noção sensorial de profundidade das relações anatômicas entre ossos, tecidos e outras estruturas. Com a integração do PACS ao banco de dados do Sistema de Informação em Radiologia (Radiology Information System, o RIS), é possível ter um registro único do paciente em questão, o que torna o uso da técnica mais assertivo ao ser combinado a outros dados clínicos. O método também pode ser utilizado na reprodução de cartilagens e ossos. A descoberta foi feita na Alemanha, onde pesquisadores desenvolveram fragmentos de células-tronco que poderiam ser diferenciadas entre cartilagens e ossos. Elas cresceram no meio de uma solução, assim como qualquer outra célula. Em cima do modelo virtual do osso disponível no sistema de arquivamento de imagens, pode-se desenhar uma peça que se encaixa de maneira única na anatomia óssea humana, além de permitir a definição de planos de corte ou direções da furação no momento do implante. Com isso o procedimento é executado de forma fiel, reduzindo tempo e ampliando a segurança do paciente. 


A impressão 3D também é aliada dos estudos do câncer. Pesquisadores da Harvard University Medical School, nos Estados Unidos, utilizaram um sistema para imprimir células neoplásicas em um gel. Elas foram colocadas em uma placa de Petri,  cresceram e puderam ser utilizadas em pesquisas com as mesmas características de um câncer desenvolvido no corpo humano. Com os inúmeros avanços da era da Saúde Digital, a expectativa dos especialistas em relação à impressão de órgãos para transplante é bastante positiva. De acordo com Aragão, as bases técnicas já estão desenvolvidas. “Vários pesquisadores produziram órgãos rudimentares em miniatura a partir de células do próprio paciente e de modelos de exames armazenados no PACS. O grande desafio é amadurecer os protocolos para garantir reprodutibilidade e fabricar estruturas complexas em escala real. Mas é uma questão de tempo”, garante. (Fonte: Blog MV)


3) EUA buscam melhores tratamentos para o câncer por meio de soluções em blockchain


A troca de informações sobre saúde aliada à tecnologia blockchain tem sido apontada como uma possível revolução para a medicina, permitindo acesso mais rápido e preciso aos dados médicos e estabelecendo novos padrões que podem ajudar a identificar causas e tratamentos para determinadas enfermidades.


Este potencial disruptivo será explorado pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA, o National Cancer Institute, que aprovou um projeto para criar um sistema baseado em blockchain para compartilhar dados clínicos que usará uma solução da IBM, baseada no Hyperledger, compartilhando informações de pacientes com profissionais da saúde e a comunidade de pesquisa, visando identificar como esse “conglomerado de dados combinados” pode ajudar a melhorar os conhecimentos atuais da medicina.


“O insucesso no acesso oportuno a informações de saúde pode impedir a tomada efetiva de decisões sobre o tratamento, o que afetará negativamente a saúde do paciente, além de incorrer em custos desnecessários, como testes duplicados. As regulamentações sobre a proteção da privacidade do paciente adicionam uma camada de complexidade na transferência de dados.”


Segundo o projeto, a imagem médica é uma parte central dos diagnósticos na assistência médica atual e um diagnóstico por imagem é “fundamental para confirmar, avaliar e documentar corretamente cursos de muitas doenças, bem como avaliar as respostas ao tratamento”, no entanto, o banco de dados de imagens atual e as plataformas às quais os cuidados com o paciente e os fluxos de trabalho se baseiam não são interligadas e apenas armazenam estas informações.


A proposta do National Cancer Institute é integrar estes dados para otimizar o fluxo de trabalho e melhorar o atendimento ao paciente.


“O projeto busca desenvolver um sistema de informações distribuídas que ajude a resolver esses problemas na transferência de dados de imagem e forneça um protótipo para o gerenciamento de informações de saúde em um contexto mais amplo.”

Com isso, os médicos e pesquisadores esperam poder fornecer, com base em novos dados compartilhados e combinados, novas formas de tratamento e cuidado para pacientes com câncer. (Fonte: Criptofacil)



4) Normatização de Exames de Ultrassonografia é divulgada pelo CBR

Durante o mês de maio o CBR realizou uma campanha junto às sociedades de especialidade filiadas à Associação Médica Brasileira com o objetivo de divulgar a Normatização de Exames de Ultrassonografia, documento oficial e elaborado pela Comissão de Ultrassonografia do Colégio, que relaciona os principais pontos de interesse e dúvidas que surgiram da prática dos especialistas envolvidos.


O intuito da ação foi mostrar a importância da padronização da denominação do estudo ultrassonográfico por região e a real abrangência de cada exame, reforçando também as lutas do CBR pela valorização do Título de Especialista e sua relevância para o médico e a população.Diversas sociedades, em apoio a iniciativa do Colégio, divulgaram a Normatização entre seus associados por meio de seus sites e mídias sociais, como a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, Conselho Brasileiro de Oftalmologia, Associação Brasileira de Medicina Legal e Perícias Médicas, Associação Brasileira de Medicina Física e Reabilitação e Academia Brasileira de Neurologia.


O documento está disponível no site do CBR de forma gratuita e com acesso a especialistas e à população em geral. (Fonte: CBR)


5) Scanner de retina de baixo custo pode ajudar a prevenir a cegueira em todo o mundo

Os engenheiros biomédicos desenvolveram um scanner portátil de tomografia de coerência óptica (OCT) de baixo custo que promete levar a tecnologia de economia de visão a regiões desfavorecidas nos Estados Unidos e no exterior. Graças a um espectrômetro reprojetado, impresso em 3D, o scanner é 15 vezes mais leve e menor que os sistemas comerciais atuais e é feito de peças que custam menos de um décimo do preço de varejo dos sistemas comerciais - tudo sem sacrificar a qualidade da imagem. 


Em seu primeiro ensaio clínico, o novo scanner OCT produziu imagens de 120 retinas que eram 95% mais nítidas do que as tomadas pelos sistemas comerciais atuais, o que era suficiente para um diagnóstico clínico preciso. Os resultados foram publicados on-line em 28 de junho na Translational Vision Science & Technology , uma revista da ARVO. Em uso desde a década de 1990, a imagem da OCT tornou-se o padrão de tratamento para o diagnóstico de muitas doenças da retina, incluindo degeneração macular e retinopatia diabética, bem como para o glaucoma. No entanto, a OCT raramente é incluída como parte de um exame de triagem padrão, já que as máquinas podem custar mais de US $ 100.000 - o que significa que geralmente apenas os centros oftalmológicos maiores as têm.


"Uma vez que você perdeu a visão, é muito difícil recuperá-la, então a chave para prevenir a cegueira é a detecção precoce", disse Adam Wax, professor de engenharia biomédica da Duke. "Nosso objetivo é tornar a OCT drasticamente menos dispendiosa, para que mais clínicas possam pagar os dispositivos, especialmente em ambientes globais de saúde". OCT é o análogo óptico do ultrassom, que funciona enviando ondas sonoras para os tecidos e medindo quanto tempo eles levam para voltar. Mas como a luz é muito mais rápida do que o som, o tempo de medição é mais difícil. Para cronometrar as ondas de luz que retornam do tecido que está sendo escaneado, os dispositivos da OCT usam um espectrômetro para determinar o quanto sua fase mudou em comparação com ondas de luz idênticas que viajaram na mesma distância, mas não interagiram com o tecido.


A principal tecnologia que permite o dispositivo OCT menor e menos caro é um novo tipo de espectrômetro projetado por Wax e seu ex-aluno de pós-graduação Sanghoon Kim. Os espectrômetros tradicionais são feitos principalmente de componentes metálicos cortados com precisão e luz direta através de uma série de lentes, espelhos e fendas de difração em forma de W. Embora essa configuração forneça um alto grau de precisão, pequenas mudanças mecânicas causadas por batidas ou até mesmo mudanças de temperatura podem criar desalinhamentos. (Fonte: Interação Diagnóstica)


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