• Fábio Henrique Araújo

Diagnóstico 4.0 News - edição #11

Resumo semanal de notícias sobre Radiologia, Diagnóstico por Imagem & Saúde 4.0




1) Inteligência Artificial da IBM consegue prever câncer de mama

Pesquisadores da IBM desenvolveram um modelo de Inteligência Artificial (IA) que pode prever câncer de mama maligno com até 1 ano de antecedência e com 87% de precisão. Embora já existam métodos de previsão de IA que dependem de imagens de mamografia e registros médicos, a IBM destaca-se por usar ambos - e obter, potencialmente, um resultado mais confiável.


A abordagem da IBM treina a IA com imagens de mamografia anônimas ligadas a biomarcadores  e dados clínicos, permitindo a criação de um algoritmo de alta precisão, Ele consegue, portanto, reduzir a taxa de erro ao analisar além da imagem, vendo coisas como nível de ferro e funcionamento da tireoide. 


Contudo, você provavelmente não gostaria de confiar apenas no algoritmo para fazer previsões, mas ele serviria como um bom "segundo conjunto de olhos", diz a IBM. Ele poderia verificar o prognóstico de um radiologista e reduzir as chances de os pacientes serem enviados para exames de acompanhamento desnecessários. Isso é muito útil em países com escassez de médicos ou em qualquer situação em que não há muito tempo para exames humanos.


A forma de previsão da IBM pode não ser a mais rápida - considerando que o MIT lançou um projeto similar capaz de identificar o câncer com até 5 anos de antecedência-, mas ela está apostando em uma visão mais completa da situação, que não confie apenas em imagens e que atue em conjunto com médicos. De qualquer forma, há uma possibilidade real de que mais pacientes com câncer de mama iniciem o tratamento antes que o primeiro tumor apareça. (Fonte: Olhar Digital)


2) Embrapii exibe inovações tecnológicas para a saúde em congresso

Equipamentos inéditos e de baixo custo voltados para a tecnologia na saúde estão chegando ao mercado brasileiro. Em parceria com empresas do setor e com outros institutos de pesquisa, a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (EMBRAPII) exibiu, no 8º Congresso Nacional de Inovação da Indústria, quatro produtos diferentes que visam a prevenção e antecipação de doenças, paradas cardíacas e outras complicações médicas. A convite do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), o Correio esteve no Congresso, nesta terça-feira (11/06) e conferiu de perto todas novidades desenvolvidas pela EMBRAPII. 


Carlos Eduardo Pereira, Diretor de Operações da EMBRAPII, explica que as iniciativas surgiram diante da falta de manutenções preditivas na saúde brasileira. “A maioria da saúde hoje em dia é corretiva, existe pouca prevenção, no sentido de antecipar alguma doença. A ideia dos projetos, a partir de sistemas de computação, análise de BigData e a manipulação desses dados e uso de algoritmos, é adiantar e prevenir complicações”, esclarece Carlos. Vale lembrar que por trás de cada projeto, existe uma empresa responsável pela comercialização do produto.

Ressonância magnética à distância 


Ainda para atender a demanda de pacientes que moram distante de grandes centros urbanos, o que limita o acesso a exames de ressonância magnética com médicos especialistas na área, a EMBRAPII apoiou o desenvolvimento do Virtual Operations Center, tecnologia para comando remoto de aparelhos de ressonância e tomografia computadorizada. O projeto foi desenvolvido pela Unidade EMBRAPII de Sistemas Inteligentes, Fundação CERTI, e a Siemens Healthineers. 

Jorge Guimarães, diretor-presidente da EMBRAPII, explica que a tecnologia se trata de “uma demanda de inovação típica da indústria brasileira”. “Na Alemanha, a Siemens não investiria em um projeto de inovação semelhante, mas no Brasil, pela própria dimensão do país, enxergou em um obstáculo, uma oportunidade para inovar”, diz. Na inovação, técnicos responsáveis pelos laudos acompanham todas etapas dos exames, através de um software, sensores, câmeras e microfones, tudo enquanto se comunica com o paciente e o auxiliar técnico operando o equipamento. Além do mais, os técnicos podem operar até 3 máquinas ao mesmo tempo, e assim, atender mais de um paciente por vez. O produto já é comercializado no Brasil e atualmente está sendo exportado para Estados Unidos, Alemanha, China e Índia.


Suporte para cirurgias oncológicas e cardíacas 


Desenvolvido pela unidade credenciada Instituto Eldorado, em parceria com a empresa Braile Biomédica, o equipamento que suporta cirurgias oncológicas e cardíacas deve chegar a indústria no início de 2020. Trata-se de um aparelho com funcionalidade dupla que oferece maior controle de monitoramento em cardioplegia, procedimento realizado em cirurgia cardíaca, e quimioterapia hipertermica intraperitoneal (HIPEC), tipo de tratamento específico para a região abdominal, durante cirurgia oncológica. O gerente de P&D do Instituto Eldorado, Guilherme Fonseca, chama atenção para a nutrição do coração que o aparelho pode proporcionar durante cirurgias. "Uma das funções do aparelho é nutrir e manter o coração parado. Isso é importante porque em alguns procedimentos cardíacos, o coração é retirado da circulação e para de receber sangue”, explica. 

O segundo uso do equipamento é para cirurgias oncológicas. “Após a retirada dos tumores na região do abdômen, é passado um quimioterápico aquecido no interior do paciente que elimina células cancerígenas que ainda estão dentro do abdômen. Uma vez que teremos mais parâmetros sendo monitorados, o profissional que faz esse processo vai conseguir ter uma maior eficácia no tratamento. Assim, você consegue aumentar a sobrevida dos pacientes”, destaca Guilherme.  Segundo Fernando Oliveira, responsável pelo projeto na Braile Biomédica, a tecnologia é pioneira no Brasil e trará maior eficiência, aprimorando os procedimentos médicos e a custos mais baixos, já que conta com produção 100% nacional. Emmanuel Lacerda, gerente-executivo de saúde e segurança do Serviço Social da Indústria (Sesi), está positivo em relação ao projeto. “Essas tecnologias são voltadas para a assistência de saúde que trazem atributos de valor, como a redução de custos, ligada a uma boa qualidade da assistência de saúde, pois evita que o paciente reincida, evita que a cirurgia seja malsucedida e o paciente tenha que voltar para refazer".

  No entanto, Emmanuel ressalta a importância de que todas novas tecnologias sejam constantemente monitoradas durante seu funcionamento. “Deve-se acompanhar o real desfecho disso e o impacto no setor da saúde e assistencialismo de saúde. Tem que ocorrer um monitoramento prático e real de como essa tecnologia vai performar no sistema, senão, pode trazer riscos”, destaca. (...) (Fonte: Correio Braziliense)


3) Ultrassom com contraste pode distinguir tumores de mama benignos de malignos


O ultrassom com contraste (CEUS) pode distinguir o carcinoma ductal in situ (CDIS) de fibroadenoma no tecido mamário, de acordo com um estudo publicado on-line em 17 de junho no Journal of Ultrasound in Medicine. Os resultados apoiam ainda mais o uso de CEUS no arsenal de rastreamento do câncer de mama, especialmente porque o DCIS pode ser difícil de diagnosticar, escreveu uma equipe liderada por Weiwei Li da Universidade Shanghai Jiao Tong.


"O ultrassom tornou-se uma importante ferramenta de triagem para avaliar as lesões mamárias devido à sua ampla disponibilidade, baixo custo e segurança. CEUS ... tem se mostrado muito útil para diferenciar tumores de mama benignos de malignos", escreveu o grupo, complementando que " o CDIS é um precursor do câncer de mama invasivo, mas diagnosticar com precisão o CDIS - e distinguí-lo de lesões benignas como fibroadenomas - pode ser complicado. A ultrassonografia quantitativa da mama tem sido usada para isso, mas a modalidade tem suas limitações", observou o grupo de Li.

É aí que entra CEUS, uma vez que pode avaliar a distribuição de sangue e fornecer análises qualitativas e quantitativas para caracterizar as lesões da mama, escreveram os pesquisadores.


Segundo o grupo o ultrassom com contraste é um método não invasivo que utiliza agentes de microbolhas para avaliar e quantificar a perfusão tecidual. "Portanto, é razoável supor que as diferentes características de realce podem ser usadas para avaliar a perfusão da microcirculação, bem como oferecer informações mais valiosas para distinguir as lesões malignas da mama das benignas", escreveu o grupo.


No entanto, até o momento, nenhum estudo explorou o valor diagnóstico do ultrassom de contraste para identificar o CDIS, de acordo com os autores. Assim, Li e seus colegas avaliaram as características do CDIS no CEUS, comparando os achados do CEIS com o CDIS e o fibroadenoma. O estudo incluiu 251 mulheres com 127 lesões CDIS confirmadas histopatologicamente (tamanho médio de 26 mm) e 124 lesões de fibroadenoma (tamanho médio de 29 mm). Todas as mulheres passaram por CEUS. Li e colegas analisaram os achados CEUS do CDIS e fibroadenomas para características distintivas.(...) (Fonte: Interação Diagnóstica)


4) Custos médico-hospitalares sobem 17,3% em 2018


As despesas assistenciais per capita de operadoras de planos de saúde com exames, consultas, terapias, internações e serviços ambulatoriais de beneficiários de planos médico-hospitalares voltaram a acelerar e encerraram 2018 com alta de 17,3%, de acordo com o Índice de Variação de Custos Médico-Hospitalares (VCMH) do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS). Em relação a 2017, o índice registrou avanço de 0,8 ponto porcentual.


José Cechin, superintendente executivo do IESS, explica que o aumento da VCMH resulta de múltiplos fatores. “Diversos elementos influenciam a VCMH. Entre eles, o aumento da frequência de utilização e o aumento dos preços unitários de materiais, medicamentos, honorários, taxas e diárias. Fatores como incorporação de novas tecnologias e o envelhecimento populacional também têm impacto”. Entre 2018 e 2017 os itens de despesas que mais cresceram foram as Terapias (exemplos: hemoterapia, Litotripsia Extracorpórea, quimioterapia, radiologia intervencionista, radioterapia, terapia renal etc.), com aumento de 31,3%, seguida de Serviços Ambulatoriais com aumento de 19,7%.


O item de internação, que tem um peso elevado na composição do índice, e por isso, sua variação fica muito próxima da média. Em 2017 e 2018 o valor ficou ligeiramente abaixo da média de todo o setor, em 16,5%. Resultado da elevação de 8,6% da frequência de utilização e do aumento no custo médio, de 7,4%. Cechin aponta que a variação da internação hospitalar só não foi maior em função do movimento das operadoras e prestadores de serviços médicos em iniciar uma migração para pacotes, diárias globais etc.


O executivo reforça que o aumento da frequência de itens de consultas, internações e outros procedimentos foram fatores que justificaram o reajuste de planos em um nível superior ao da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ou mesmo uma de suas componentes que apura a variação de preços de produtos de saúde, como o IPCA Saúde. Para se ter uma ideia do peso da frequência de uso na conta, pode-se imaginar uma situação em que os custos de serviços de saúde caiam, mas a despesa aumenta devido ao aumento da frequência. Por exemplo: se as consultas médicas custassem, em média, R$ 100 e passassem a custar R$ 95, indicadores como a inflação registrariam uma queda de 5% (deflação).


Contudo, se no mesmo período a frequência de realização de consultas passar de 5,0 para 5,5 o custo per capita passa de R$ 500,00 para R$ 522,50, com aumento de 4,5%. “Claro, a tendência não é que os custos médios de cada procedimento caiam, assim como não temos deflação no País. Mas o exercício lógico mostra porque a VCMH continua acima da inflação. O que não é natural é esperar que a VCMH fosse semelhante ou igual ao IPCA, isso porque inflação mede apenas variação de preços enquanto a VCMH mede a combinação da variação de preços com a variação de frequência”, argumenta Cechin. (...) (Fonte: Exame)


5) Pesquisa da Deloitte aponta que o futuro da saúde está na tecnologia


Não tem como ignorar os avanços tecnológicos promovidos pela área da saúde. Segundo a pesquisa “Tendências para o setor global de saúde 2019: Definindo o futuro”, a mais recente na área da saúde desenvolvida pela Deloitte, a solução para dar conta da crescente demanda de pacientes e ser mais assertivo nos diagnósticos pode estar na tecnologia. Pelo menos é o que conclui o estudo que traça um panorama do setor de saúde global e explora os principais desafios a serem superados para alcançar esse objetivo, bem como as questões que impactam diretamente os que atuam na área. Profissionais da área têm se empenhado para vislumbrar um futuro em que tecnologias digitais ajudem a fomentar novos negócios e modelos de assistência médica. O objetivo é construir um cenário mais acessível e sustentável.


Ainda segundo o estudo, nos últimos anos, os gastos com saúde foram impulsionados por conta do envelhecimento e o crescimento das populações, desenvolvimento da expansão do mercado, avanços clínicos e tecnológicos e aumento dos custos trabalhistas. Além disso, espera-se que a tendência em direção à atenção universal à saúde continue, com mais países expandindo ou aprofundando seus sistemas públicos de saúde para reduzir as despesas particulares. A pesquisa mostra que se a área da saúde recebesse mais investimento e atenção, as questões-chaves que atrapalham o desenvolvimento poderiam agilizar processos e reduzir custos. A análise sugere desenvolver sustentabilidade financeira em um cenário incerto, com o surgimento de práticas médicas personalizadas aliadas à utilização de tecnologias, adoção de procedimentos inovadores que respondam às frequentes variações do setor, além de reduzir custos e melhorar a qualidade e o acesso a esses mecanismos, além de investimento em inovação e no meio digital para priorizar a modernização do ambiente por meio de novas tecnologias como inteligência artificial, robótica, para permitir a expansão além do tradicional.


Além disso, é sugerido que líderes deste setor aproveitem as oportunidades trazidas pela tecnologia para lidar com os desafios de talentos que podem solucionar a carência de profissionais e criar novos alicerces para um futuro sustentável. Também é fundamental atender às necessidades e expectativas dos consumidores. Vale a pena planejar atividades tendo como base as preferências dos pacientes para desenvolver estratégias mais certeiras, que auxiliam os consumidores em suas decisões em relação à saúde. (Fonte: Hospitalar)



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