• Fábio Henrique Araújo

Diagnóstico 4.0 News - edição #10

Resumo semanal de notícias sobre Radiologia, Diagnóstico por Imagem & Saúde 4.0




1) Destaques sobre câncer de mama na ASCO 2019


Importantes estudos relativos a avanços no tratamento do câncer de mama foram comentados pelo Dr. Sérgio Simon, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), diretamente do ASCO 2019, congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, que ocorreu em Chicago (EUA), de 31 de maio a 04 de junho. O médico fez um apanhado dos principais resultados que evidenciaram benefícios para pacientes com esses tumores.


Como destaque, o oncologista comentou sobre trabalho que avaliou a atividade do margetuximabe, um anticorpo monoclonal anti-HER2, como molécula que desencadeia significativas reações de citotoxicidade mediada por células dependente de anticorpos (ADCC, na sigla em inglês). No estudo SOPHIA, a adição desse medicamento à quimioterapia (QT) levou a importantes respostas antitumorais em pacientes com câncer de mama metastático positivo para HER2. Mesmo após múltiplas linhas de tratamento, as pacientes tiveram ganho em sobrevida livre de progressão (SLP) e em taxa de resposta em comparação ao tratamento padrão com QT e trastuzumabe.


Outros dados ressaltados pelo Dr. Simon foram os das atualizações dos estudos IMpassion130 e MONALEESA-7, que tiveram novas análises de sobrevida global (SG) divulgadas durante o congresso. No primeiro estudo, mulheres com câncer de mama triplo negativo metastático receberam tratamento com nab-paclitaxel associado a placebo ou a atezolizumabe, um inibidor de checkpoint imunológico anti-PD-L1. Os novos resultados indicaram um maior benefício para pacientes com expressão de PD-L1 ≥ 1%, com ganho de 7 meses em SG para o braço de imunoterapia nessa população. Apesar disso, dados maduros da análise final de SG ainda são aguardados, para mensuração do benefício real dessa estratégia.


Já o segundo estudo confirmou o benefício da associação de ribociclibe a hormonioterapia para pacientes com câncer de mama positivo para receptores hormonais (RH+)/HER2- na pré-menopausa. O grupo que recebeu o inibidor de CDK4/6 apresentou SG estatisticamente superior à do grupo de placebo, com mediana não atingida vs. 40,9 meses, respectivamente (HR 0,712; IC 95% 0,54-0,95; p = 0,00973). As taxas estimadas para SG em 42 meses foram de 70,2% (ribociclibe) vs. 46% (placebo). Além disso, o médico chamou a atenção para estudo coreano em pacientes com câncer de mama metastático RH+. Com dados mostrando ganho em SLP da combinação de palbociclibe e exemestano em comparação ao braço de quimioterapia com capecitabina, o estudo reforçou o impacto positivo da adição de inibidores de CDK4/6 à hormonioterapia para essa população.


Apesar dos dados animadores, o Dr. Simon alerta para a ainda considerável dificuldade em se conseguir resultados significativos com imunoterapia em tumores de mama de subtipo luminal. Considerados tumores “frios”quanto a sua capacidade de incitar respostas do sistema imune, as neoplasias de mama RH+ foram alvo de estudo de fase II que avaliou a combinação de pembrolizumabe e eribulina no cenário metastático, a qual não gerou ganho em SLP em comparação a QT isolada. (Fonte: Oncologia Brasil)



2) Em que a Lei Geral de Proteção de Dados pode contribuir para o setor de saúde?

Toda a área de saúde deve se preparar para um desafio de enormes proporções, que virá em breve. Em fevereiro de 2020, entra em vigor a Lei Geral de Proteção de Dados (Lei 13.709, de 2018), que modifica regras de compartilhamentos de dados entre entidades privadas. No caso da área da saúde, estamos falando de elementos gerados por hospitais, laboratórios de medicina diagnóstica e empresas de seguro, entre outras. São informações sensíveis, que envolvem documentação de pacientes, pagamentos, contratos, diagnósticos e podem interferir na projeção de atendimentos e serviços de saúde prestados no futuro.


A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) muda o tratamento obrigatório dado à segurança da informação. Se até o momento o cliente dependia de uma política da empresa que tratasse seus dados com segurança, futuramente isso será requisito mínimo. Mas, tanto no segmento privado quanto no público, trata-se de um avanço extremamente necessário. Um caso de 2016 expõe a seriedade da situação: devido a uma falha de segurança nos sistemas da Prefeitura de São Paulo, foram expostos e divulgados dados de 650 mil pacientes de servidores da Secretaria Municipal de Saúde, incluindo detalhes de prontuários médicos.


No entanto, são muitos os desafios que a área médica deverá abraçar para proteger os dados pessoais de seus pacientes. Um dos exemplos é a discussão de interoperabilidade no setor, ou seja, a troca de informações por meio de computadores e a possibilidade de executar programas através de várias unidades funcionais seguindo protocolos, sistemas e linguagens que conversem entre si. Geralmente esses sistemas são padrões abertos (não protegidos por royalties), o que demanda uma atenção redobrada com segurança.


Não existe ainda um modelo padrão para o sistema de saúde, com protocolos de segurança estabelecidos. Na verdade, como o uso da tecnologia nessas empresas foi se desenvolvendo de forma independente, sem um padrão único, existem diversos modelos que tratam os dados do paciente conforme cada instituição julga mais adequado. Antes de uma regulamentação formal, isso não representava um problema, mas a tendência é que o setor precise pensar de forma mais colaborativa, tratando as informações médicas e pessoais como patrimônio do paciente.


Além disso, a informatização do atendimento médico é cada vez maior. Prontuário, histórico de exames, informações pessoais e outros dados, uma vez inseridos no sistema, facilitam e podem melhorar o acompanhamento médico daquele paciente. Por outro lado, com toda a informação digital concentrada em um sistema, surgem riscos: computadores sem antivírus ou com sistemas desatualizados, redes wi-fi inseguras, servidores de e-mail desprotegidos ou equipes sem treinamento suficiente para proteger a privacidade do paciente.


Entre as provisões apresentadas pela LGPD, as regras mais importantes versam sobre segurança, boas práticas e fiscalização. Devem ser estabelecidos procedimentos em caso de incidentes que possam gerar risco ou danos aos titulares dos dados e multas e sanções a quem descumpra exigências da Lei, que podem chegar a R$ 50 milhões, ou 2% do faturamento do grupo econômico. A pressão econômica deve ser um fator decisivo para impulsionar a adoção generalizada dos investimentos no setor – quem se adequar primeiro vai oferecer um diferencial ao paciente. (Fonte: Jornal Contábil)



3) Plano de saúde sobe 382% em 18 anos, mais que dobro da inflação do setor


Os preços das mensalidades dos planos de saúde individuais subiram, em média, 382% em 18 anos, de 2000 a 2018. O aumento ficou muito acima da inflação oficial do país no mesmo período, de 208%, e também foi mais que o dobro da inflação do setor de saúde, de 180%. As variações foram calculadas pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) a partir de dados do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que mede a inflação oficial no Brasil.


Em nota, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) disse que "considera tecnicamente inadequadas as comparações feitas entre o índice de reajuste dos planos de saúde individuais e índices de preços ao consumidor, sejam eles gerais, como o IPCA, ou específicos" (leia a íntegra da nota abaixo). O IPCA é um índice que considera os preços de nove grupos de serviços e produtos para calcular uma inflação média no país, para o consumidor final. Os itens pesquisados têm pesos diferentes no cálculo. Alimentos, por exemplo, pesam mais que vestuário. Inflação da saúde foi de 180% .


Com os dados do IBGE, é possível separar os preços e calcular apenas a inflação do setor de saúde, que considera itens como planos de saúde, remédios, consultas médicas, valor de internações e exames. Para poder comparar os preços dos planos com o restante do setor, o Ipea desconsiderou as variações de preços dos próprios planos de saúde e também de itens de cuidado pessoal, como perfumaria e higiene. O resultado foi uma inflação de 180% do setor de saúde em 18 anos, muito abaixo dos 382% dos planos de saúde individuais.


De acordo com o Ipea, a diferença entre a inflação da saúde e a dos planos de saúde individuais aponta a necessidade de o país rever a maneira como são feitos os reajustes dos planos pela ANS. "Observou-se que a trajetória do IPCA Saúde não serviu de base para --ao menos-- calibrar o nível do teto de reajuste da ANS entre 2000 e 2018", disse o Ipea.(...) (Fonte: UOL)



4) Abramed divulga Anuário 2018 com dados da Medicina Diagnóstica


Em 15 de março, a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) organizou o 1° Bootcamp Abramed de Jornalismo em Saúde, um evento voltado a jornalistas da área para divulgar seu Painel 2018, com dados do mercado nacional, e também incentivar os profissionais de comunicação a verificar cada vez mais dados e informações antes de publicá-los - especialmente nesta era em que fake news ganham espaço.


Dentre os índices divulgados, destacaram-se:


-A população brasileira está envelhecendo e atingiu padrões de longevidade semelhante aos de países desenvolvidos, e o envelhecimento, somado ao empoderamento do paciente, aumenta a demanda por exames;


-A área da saúde foi responsável por mais 2 milhões de empregos em 2017, 5% do total de postos de trabalho;


-O setor de Medicina Diagnóstica foi responsável pela geração de mais de 241 mil empregos em 2017, 12% dos empregos da área da saúde, gerando, mesmo durante a crise, mais empregos do que outros setores da economia;


-Estima-se que, em 2017, tenham sido realizados 2 bilhões de exames no Brasil, sendo 1,2 bilhão pelo Sistema Único de Saúde (SUS);


-A principal fonte de pagamento  do setor de Medicina Diagnóstica são as operadoras dos planos de saúde - 82%;


-Tendência de substituição de equipamentos de raios X analógicos (que caíram 2,2% ao ano) por digitais (que cresceram 9,8%);


-As empresas integrantes à Abramed somaram 29 milhões de pacientes atendidos em 2017, sendo 67% mulheres;


-Desses exames, apenas 3,5% não foram retirados ou acessados, mostrando que o desperdício em exames é bem menor do que se fala;


-O índice de glosas aumentou, e o tempo médio de recebimento cresceu de 54,5 dias em 2015 para 61,9 dias em 2017.


Dentre as palestras apresentadas, houve as conduzidas por médicos radiologistas- os Drs. Emerson Gasparetto e Gustavo Meirelles fizeram uma apresentação sobre inovação em diagnósticos e os benefícios aos pacientes, já o Dr. Conrado Cavalcanti falou com os jornalistas sobre tendências do setor. (Fonte: SPR)


5) Elastografia aumenta a precisão do diagnóstico em pacientes com fascite plantar

De acordo com um novo estudo publicado on-line na Radiologia Acadêmica , a elastografia de onda de cisalhamento (SWE) aumenta a precisão do diagnóstico em pacientes com fascite plantar, e seu poder de diagnóstico é ainda maior quando combinado ao ultrassom de modo B, produzindo 100% de sensibilidade. Segundo a equipe liderada pelo Dr. Matthias Gatz, do Hospital Universitário RWTH Aachen, na Alemanha, "o estudo mostrou pela primeira vez que a SWE tem um valor diagnóstico aditivo para o diagnóstico de fascite plantar, com uma sensibilidade de 100% para o uso combinado de ultrassonografia SWE e modo B, e além disso, a precisão do diagnóstico aumentou de 79% usando o ultrassom de modo B para 84% usando o SWE”, escreveu o grupo.


O padrão atual para o diagnóstico de fascite plantar é a ultrassonografia modo B para identificar áreas hipoecoicas, irregularidades de borda da fáscia e calcificações. Em particular, a espessura da fáscia plantar de mais de 4 mm é o principal sinal diagnóstico para o diagnóstico de fasceíte com ultrassom de modo-B. Mas, como a espessura da fáscia pode realmente diminuir com o tempo, mesmo em pacientes com fasciite, a ultrassonografia no modo B pode perder os casos de fasciite. Gatz e colegas levantaram a hipótese de que o SWE seria mais eficaz no diagnóstico de fascite porque mede a rigidez dos tecidos e pode, portanto, identificar a condição mesmo se a fáscia não for espessa, de acordo com o grupo. A técnica também pode ser mais eficaz do que o ultrassom de modo B para monitorar os efeitos do tratamento, de acordo com a equipe.


Para investigar, o grupo realizou um estudo que incluiu 82 pacientes com fascite plantar. Esses pacientes foram divididos em três grupos: sintomático (39), assintomático (23) e bilateral assintomático (20). O padrão de referência para o estudo foi o ultrassom no modo B, com espessura da fáscia plantar maior que 4 mm. Os pesquisadores mediram a elasticidade do tecido de onda de cisalhamento no calcâneo, a 1 cm do calcâneo e na parte central do calcâneo. O grupo então calculou a sensibilidade, especificidade e acurácia diagnóstica do PEO comparado ao ultrassom modo-B.


A equipe de Gatz descobriu que o SWE era mais sensível e mais preciso do que o ultrassom do modo B, embora fosse menos específico. A sensibilidade e acurácia diagnóstica foram maiores quando as duas técnicas foram combinadas, em 100% e 90%, respectivamente. Os resultados do estudo mostram que o SWE pode melhorar o desempenho do ultrassom no modo B - uma boa notícia para pacientes com uma condição como a fascite plantar, que não necessariamente se apresenta de uma maneira que o ultrassom possa identificar, de acordo com a equipe de Gatz. "O SWE fornece uma avaliação quantitativa da integridade da fascite plantar e pode distinguir entre pacientes sintomáticos e assintomáticos melhor do que a ultrassonografia modo B", concluiu o grupo. (Fonte: Interação Diagnóstica)


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