• Fábio Henrique Araújo

Diagnóstico 4.0 News - edição #2

Atualizado: 6 de Mai de 2019

Resumo semanal de notícias sobre Radiologia, Diagnóstico por Imagem & Saúde 4.0




1) Sociedade Brasileira de Mastologia lança estudo que promete colocar o Câncer de Mama em nova perspectiva


A Sociedade Brasileira de Mastologia, em parceria com a Libbs Indústria Farmacêutica, está realizando um estudo para identificar o conhecimento, a atitude e a prática das mulheres de todas as regiões do país sobre o câncer de mama.


O principal objetivo do estudo é contribuir com os órgãos responsáveis pela Saúde Pública na formulação de políticas mais eficientes, além de promover ações de conscientização para que a população tenha condições de contribuir de maneira ativa no diagnóstico precoce. "Este é o primeiro levantamento nacional da Sociedade Brasileira de Mastologia junto às mulheres. Considerando que a falta de informação atrapalha o reconhecimento dos sinais e sintomas, o que pode atrasar a busca por atendimento médico por parte dos pacientes e, consequentemente, dificultar o tratamento, queremos analisar o conhecimento em relação ao câncer de mama em mulheres brasileiras e, a partir do resultado dos questionários, direcionar como a sociedade médica e governos podem focar os esforços de forma mais eficaz", explica o mastologista responsável pelo estudo, Antônio Luiz Frasson. "Isso vai ao encontro das Diretrizes para a Detecção Precoce do Câncer de Mama no Brasil", completa.


Dados de pesquisadores da Sociedade Brasileira de Mastologia mostram que o acesso das mulheres com alterações clínicas ou radiológicas ainda é o principal gargalo e precisa ser facilitado no Brasil. Isso porque entre o início dos sintomas e/ou percepção da alteração no exame, elas chegam a levar de 6 a 12 meses para procurar o especialista por falta de disponibilidade, sobretudo no serviço público. Há muita dificuldade para agendar consulta com o mastologista, assim como para realizar mamografia, biópsia e cirurgia, já que os sistemas de regulação dos estados são complexos e obrigam as mulheres a ficarem aguardando em casa por um telefonema. Esse triste quadro colabora para o alto índice de casos avançados (de 50% a 60%) atendidos pelo SUS (Sistema Único de Saúde), o que não colabora para a cura e a redução da mortalidade.


A pesquisa pretende avaliar dados demográficos acerca do conhecimento dos participantes quanto aos sinais, sintomas e fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de mama; quanto às formas de diagnóstico e tratamento do câncer de mama; quanto aos profissionais envolvidos nas etapas de rastreamento, diagnóstico e tratamento, assim como as entidades envolvidas na prevenção e controle do câncer de mama; e, ainda, quanto aos direitos legais dos pacientes e às campanhas e ações educativas voltadas ao diagnóstico precoce do câncer de mama. (Fonte: Terra)


2) Brasileiros usam imagens em 3D para provar que 'cápsula invisível' é viável em novas vacinas com aplicação oral


Pesquisadores brasileiros do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto Butantã conseguiram desenvolver uma técnica que pode facilitar a formulação de vacinas orais. Eles conseguiram usar microscópicas "cápsulas" de sílica para transportar de forma eficiente as moléculas da hepatite B e, além disso, observar seu comportamento e características por meio de imagens em 3D.

Ao demonstrar a eficácia dessas novas vacinas orais, os cientistas abriram as portas para um novo campo de estudo. Os resultados da pesquisa, realizada em parceria com estudiosos de outros países, foram publicados na revista cientifica "Nature".


O projeto surgiu diante de uma série de dificuldades criadas pelas vacinas injetáveis, como a produção e o uso de seringas descartáveis em grande escala, a necessidade de uma maior higienização dos ambientes, as possíveis reações no local da aplicação, dificuldades de absorção, entre outras.Segundo física da USP Márcia Fantini, que iniciou o projeto há cerca de 15 anos com o biólogo Osvaldo Sant’Anna, do Instituto Butantan, o objetivo principal é desenvolver métodos para que as vacinas orais sejam tão eficazes quanto as injetáveis e possam ser formuladas para muitas doenças mais.


Uma das principais dificuldades das vacinas orais é garantir que o “antígeno” – ou a molécula capaz de criar imunização na pessoa que recebe a vacina – chegue até a parte do corpo onde será absorvido. Para isso, deve ser inserido em uma espécie de cápsula que possa atravessar todo o trato gastrointestinal.

Esse desafio molecular é especialmente difícil quando as partículas são maiores, se aglomeram demais dentro da cápsula ou quando se aplicam diferentes antígenos numa mesma vacina. A partícula do antígeno da hepatite B, chamada HBsAg, era muito grande para entrar nas cápsulas e apresentava uma tendência à aglomeração.


A pesquisa, que também contou com pesquisadores da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, buscava observar se a sílica conseguia levar corretamente a vacina pelo trato gastrointestinal e fazer a "entrega" dos antígenos. Uma entrega correta pode aumentar a resposta imunológica do organismo contra a doença.

Realizando testes em animais para a vacina contra hepatite B, os pesquisadores concluíram que a SBA-15 é, de fato, uma forma viável. Além disso, a vacina oral mostrou melhor resposta imunológica do que a vacina administrada por injeção.

Uma das maiores novidades do estudo é o fato de que os estudiosos conseguiram observar o comportamento do antígeno da hepatite B dentro da cápsula de sílica, usando técnicas inovadoras: espalhamento de raios X a baixo ângulo (SAXS), a microscopia por transmissão de raios X com varredura (STXM), a tomografia com nêutrons e raios X.

Isso lhes permitiu visualizar imagens completas em 3D.


Em outras palavras, os cientistas puderam entender melhor como as moléculas se comportavam, como e por que a aglomeração acontecia, como reage ao pH, entre outros fatores importantes. O resultado foi uma otimização das condições de encapsulamento e a conclusão de que é possível continuar estudando e aplicando essas técnicas com outros antígenos.Se o estudo tiver sucesso também nos testes com seres humanos, será possível produzir vacinas orais mais eficientes, baratas e que auxiliem os programas de saúde pública. Seria possível, segundo os cientistas, aumentar a cobertura vacinal da população. Comprovada a sua eficiência, a vacina oral é mais prática e pode ser aplicada mesmo fora dos postos de saúde. (Fonte: G1)


3) Estudo revela modelo para o tratamento do tumor cerebral resistente à radiação


Estudo pré-clínico realizado por pesquisadores da Universidade de Michigan sugere que os gliomas, uma forma comum de câncer cerebral, podem ser tratados com combinação de rádio e quimioterapia. A pesquisa recente sobre novos tratamentos de tumores cerebrais explorou as razões pelas quais alguns pacientes com gliomas vivem notavelmente mais que outros. Os resultados do estudo usando camundongos sugeriram que as células tumorais de alguns pacientes são menos agressivas e muito melhores na reparação do DNA do que outras, mas são difíceis de matar com radiação. Os pesquisadores então mostraram que combinar a terapia de radiação com drogas contra o câncer projetadas para bloquear o reparo do DNA pode ser uma estratégia de tratamento eficaz. O estudo foi financiado pelo National Institutes of Health.


Os pesquisadores se concentraram em gliomas de baixo grau que carregam uma mutação causadora de doença em um gene chamado isocitrato desidrogenase 1 (IDH1), que codifica uma proteína conhecida por ajudar as células a produzir energia. Essa mutação é encontrada em cerca de 50% dos casos de gliomas primários de baixo grau, uma forma comum e letal de tumor cerebral. Pacientes com glioma cujos tumores têm mutações no IDH1 são tipicamente mais jovens e vivem mais do que aqueles cujos tumores têm o gene normal. Esses tumores também costumam ter mutações em genes chamados TP53 (um gene supressor de tumor) e ATRX (um gene de remodelamento complexo de proteínas de DNA).


Os pesquisadores recriaram os tumores dos pacientes por camundongos geneticamente modificados para desenvolver células cancerígenas cerebrais que têm as mutações causadoras de doenças no IDH1, juntamente com mutações em TP53 e ATRX. Assim como os pacientes, esses camundongos viviam mais do que os ratos de controle, cujos tumores estavam programados para ter IDH1 normal, enquanto ainda abrigavam as mutações em TP53 e ATRX.

Quando a equipe de pesquisa examinou os tumores, eles descobriram que a mutação IDH1 tornava as células de glioma menos agressivas. As células dividiram-se a uma taxa menor do que os controles e foram muito menos propensas a desencadear o crescimento do tumor quando implantadas em cérebros de camundongos.


Eles também descobriram que a mutação IDH1, na presença de mutações em TP53 e ATRX, tornou os tumores resistentes à radiação ionizante, um tratamento que mata as células freqüentemente danificando o DNA. Por exemplo, a exposição à radiação prolongou a vida de camundongos que foram implantados com tumores de controle, mas não teve efeito sobre camundongos implantados com células mutantes IDH1.

Outras experiências forneceram uma possível explicação para essa resistência. Os resultados sugeriram que a mutação causadora da doença modificou a atividade do IDH1, que, por sua vez, desencadeou uma cascata de reações químicas que modificaram os genes das células cancerosas de forma a aumentar a produção de proteínas conhecidas para reparar o DNA danificado.


"Nossos resultados demonstram que as alterações metabólicas causadas pela mutação IDH1 reprogramam as células cancerígenas do cérebro", disse Castro.

Esses resultados levaram os pesquisadores a formular e testar uma nova terapia combinada. Eles descobriram que poderiam prolongar a vida de camundongos com tumores IDH1 mutantes, expondo-os à radiação enquanto injetavam drogas anti-câncer projetadas para bloquear o reparo do DNA. Em contraste, o tratamento desses ratos com radiação ou apenas um dos medicamentos não teve efeito. Vários dos achados observados em camundongos também foram observados em gliomas humanos cultivados em placas de petri.


"Essas descobertas têm o potencial de impactar muitos pacientes com glioma mais jovens com tumores de baixo grau 'curando' ou prolongando suas vidas", disse Jane Fountain, Ph.D., diretora de programas do Instituto Nacional de Distúrbios Neurológicos e Derrames do NIH. “O modelo pré-clínico desenvolvido pela equipe de Castro será extremamente valioso para os pesquisadores de câncer. Isso reflete de perto a doença humana ”.

A equipe de Castro começou a planejar um ensaio clínico de fase 1 que testará a segurança e a eficácia da estratégia de terapia combinada descrita neste estudo. (Fonte: Interação Diagnóstica)

4) Reajuste do metro quadrado da documentação radiológica


Conforme determina o artigo 17-A, caput, inciso II e §§ 2º e 3º, da Lei 9.656/98, alterada pela Lei 13.003/14, por sua vez regulamentada pelas Resoluções Normativas da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) números 363, 364 e 365, da mesma agência, com fundamento no § 4º da RN nº 364 supracitada, o Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem comunica que, a partir de 01 de abril de 2019, utilizará o índice definido pela ANS, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), para o reajuste do valor de referência do metro quadrado do filme/documentação dos procedimentos de Radiologia e Diagnóstico por Imagem


O IPCA acumulado nos últimos 12 (doze) meses, com base em fevereiro de 2019, foi de 3,8903%. Assim o novo valor de referência fica estabelecido em R$ 28,87 o metro quadrado. (Fonte: CBR)


5) Rastreio do câncer de mama: nova diretriz muda recomendações sobre mamografia


O American College of Obstetricians and Gynecologists atualizou esse mês suas diretrizes para o rastreio do câncer de mama em mulheres com risco médio, e trouxe novas recomendações sobre a mamografia. Veja abaixo os principais pontos.

Recomenda-se iniciar a mamografia de rastreio a partir dos 40 anos. Caso a paciente não comece nessa idade, ela deve fazer aos 50 anos. A decisão sobre quando começar o rastreio deve ser tomada com base nos benefícios e potenciais danos.O rastreio deve ocorrer a cada 1 ou 2 anos, de acordo com a preferência da paciente. O rastreio a cada 2 anos, especialmente para mulheres com 55 anos ou mais, é considerado “sensato” pelo colégio americano.


O rastreio deve continuar até, pelo menos, 75 anos. Depois disso, a decisão de interromper ou não deve ser feita levando em conta a saúde atual da paciente e sua expectativa de vida.O exame clínico de mama pode ser oferecido a mulheres de 25 a 39 anos a cada 1 a 3 anos; para aquelas com 40 anos ou mais, anualmente.


Clique aqui para ver o arquivo completo (em inglês). (Fonte: PEBMED)

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