• Fábio Henrique Araújo

Diagnóstico 4.0 News - edição #1

Atualizado: 6 de Mai de 2019

Resumo semanal de notícias sobre Radiologia, Diagnóstico por Imagem & Saúde 4.0



1) Reino Unido usará tecnologia espacial para diagnosticar câncer

Londres — O Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS) poderá usar a tecnologia destinada a observar estrelas em galáxias distantes para o diagnóstico precoce do câncer, anunciou o governo nesta segunda-feira, 8.

Coincidindo com os 70 anos da criação do sistema público de saúde, a Agência Britânica Espacial (BNSC) destinou 1 milhão de libras (pouco mais de R$ 5 milhões) ao desenvolvimento de uma máquina portátil de raio X em três dimensões, que se baseia na mesma tecnologia já usada para estudar estrelas.

“A tecnologia tem um potencial enorme para salvar vidas. Este é um exemplo brilhante de como os pesquisadores podem trabalhar com o NHS para ajudar a salvar vidas com um diagnóstico mais precoce do câncer”, ressaltou o ministro da Saúde do Reino Unido, Matt Hancock, em comunicado divulgado pelo governo. (Fonte: Exame)


2) Teste de sangue para detectar o câncer da mama pode substituir mamografia?


Um exame de sangue que detecta precocemente o câncer de mama pode substituir o exame de mamografia. Em uma única coleta, será possível se prevenir contra diferentes tipos de tumor, até mesmo alguns dos quais não contam ainda com esquemas de rastreamento eficazes. O teste sanguíneo que está sendo desenvolvido pelos pesquisadores do Hospital Universitário de Heidelberg, na Alemanha, promete ser capaz de identificar de forma confiável se um paciente tem a doença.

O exame, apelidado de HeiScreen, pode detectar câncer no sangue até antes de a doença se tornar visível. Os especialistas apontam que pode ser utilizado para detectar também câncer nos ovários.


O diagnóstico precoce é crucial para reduzir as taxas de morte por câncer de mama e garantir que as pacientes recebam tratamento a tempo. Com a detecção antecipada, a chance de recuperação completa é de 95%.

Cabe ressaltar que o teste não está sendo desenvolvido para substituir métodos convencionais de diagnóstico. Atualmente, as principais técnicas de detecção do câncer de mama são mamografias, ultrassonografias e ressonâncias magnéticas.

Segundo os pesquisadores, o HeiScreen deverá complementar os métodos tradicionais, mas será “um fardo muito menor para as mulheres” por não ser doloroso, custar menos e não expor as pacientes à radiação.

O exame sanguíneo também é uma alternativa viável para pessoas cujas glândulas mamárias têm tecido denso e não conseguem obter resultados eficazes com mamografias. O teste servirá ainda para aquelas mulheres que não podem ser submetidas a exames clínicos tradicionais por razões médicas.

Serão necessários apenas alguns mililitros de sangue para o teste, que pode ser realizado por clínicos gerais. Os pesquisadores esperam que o procedimento não invasivo encoraje mais mulheres a fazerem o exame.


Com base num procedimento de biópsia líquida, os especialistas de Heidelberg não estão criando uma nova forma de detectar o câncer, mas estão refinando um método já existente para identificar especificamente o câncer de mama.

Nos últimos 12 meses, foram examinadas cerca de 900 mulheres, 500 das quais eram pacientes de câncer de mama. As outras 400 eram pacientes saudáveis.

Segundo Christof Sohn, que dirigiu o estudo, a maior vantagem do teste de sangue é que ele reage muito sensivelmente, especialmente em mulheres com menos de 50 anos.

Em jovens, o exame tem uma taxa de precisão de 86%. Em pacientes com mais de 50 anos, a taxa de exatidão cai para 60%.

Pesquisadores na Austrália e nos Estados Unidos também vêm trabalhando num teste sanguíneo de câncer chamado CancerSEEK. O exame tem uma taxa de exatidão de 70% e detecta oito tipos diferentes de câncer.


A pesquisadora Sarah Schott, da equipe do Hospital Universitário de Heidelberg, estava convicta de que o teste estaria disponível no mercado ainda este ano e que poderia substituir com vantagem a mamografia na detecção do câncer da mama, pelo menos nas mulheres com menos de 50 anos.

No entanto, há algumas semanas, ela e sua equipe pediram desculpas publicamente, pois ainda faltam dados decisivos sobre os benefícios do teste de sangue e que ele ainda deve demorar a ser aprovado para a sua comercialização.

A equipe responsável pelo estudo não havia mencionado para a imprensa a taxa de alarmes falsos que o exame de sangue retornou – quantas mulheres saudáveis ​​tiveram um alarme falso com o método – que estava em 30%. Além disso, os resultados dos testes ainda não foram publicados em uma revista de revisão por pares, como é a prática científica usual na Alemanha.

No momento, só nos resta aguardar para que os estudos avancem e sejam positivos para que o teste de sangue para detectar o cancro da mama seja lançado e possa, quem sabe, substituir com eficácia a mamografia. (Fonte: PEDMED)


3) Cientistas criam malware que altera resultados de exame de câncer


Pesquisadores da Ben Gurion University Cyber Security Research Center, localizada em Israel, desenvolveram um malware que altera resultados de exames de imagem, como ressonância magnética e tomografia. O vírus atua introduzindo nódulos cancerígenos onde eles não existem ou retirando os tumores em exames de pacientes que estariam com câncer. O objetivo era destacar a importância de proteger as informações com as quais o sistema de saúde lida.

O estudo aplicou um teste cego em radiologistas para testar a efetividade do ataque. Foram apresentadas 70 tomografias computadorizadas do pulmão (com algumas alteradas pelo vírus) para que os médicos pudessem fazer os diagnósticos. Quando eles encontraram tomografias trazendo falsas imagens de nódulos cancerígenos, fizeram o diagnóstico de câncer em 99% das vezes. Quando o tumor era escondido pelo malware, os médicos disseram não haver câncer em 94% dos casos.


O segundo passo foi avisar aos radiologistas que as tomografias estavam sendo alteradas, mas eles ainda tiveram dificuldades em chegar ao diagnóstico correto. Na segunda rodada de imagens, sabendo que algumas tinham sofrido o ataque, os médicos consideraram que os nódulos inseridos pelo malware eram reais em 60% das vezes. Quando o vírus retirava os tumores, o erro no diagnóstico aconteceu em 87% dos casos. 

A pesquisa aponta para a eficácia do vírus, que é muito bem-sucedido em alterar as imagens de maneira crível. O maior problema derivado do estudo, porém, é que os hospitais e instituições médicas estão pouco preparados para lidar com este tipo de ataque. A parte boa é que o malware foi desenvolvido especificamente para o estudo, então não será encontrado facilmente fora do ambiente controlado de um experimento. (Fonte: TecMundo)


4) AI DETECTA CÂNCER DE MAMA COM A MESMA PRECISÃO QUE RADIOLOGISTAS EM ESTUDO


Um sistema de inteligência artificial projetado para detectar o câncer de mama detectou a doença com a mesma precisão que os radiologistas, de acordo com as descobertas publicadas no Journal of the National Cancer Institute. 

Os resultados do sistema de detecção de IA foram comparados com 101 radiologistas que fizeram nove tipos de exames de mamografia de quatro diferentes fabricantes. Ao todo, os radiologistas retornaram mais de 2.600 exames que resultaram em 653 diagnósticos de câncer maligno.

"Antes que pudéssemos decidir qual é a melhor maneira de os sistemas de IA serem introduzidos no rastreio do cancro da mama com mamografia, queríamos saber quão bons podem ser estes sistemas", disse Ioannis Sechopoulos, investigador da Universidade Radboud e autor do estudo, em um comunicado de imprensa.

Esta não é a primeira vez que sistemas de detecção auxiliados por computador foram usados. Profissionais de saúde começaram a usar os sistemas na década de 1990. Os sistemas, dizem os pesquisadores, não forneceram melhores exames e não economizaram custos.

Esta nova tecnologia surge exatamente quando a nação enfrenta uma escassez de radiologistas. A American Cancer Society estima que quase 270.000 mulheres nos EUA serão diagnosticadas com câncer de mama, a forma mais letal de câncer para mulheres. O estudo diz que mais de 500.000 morrem a cada ano de câncer de mama.

"Foi emocionante ver que esses sistemas atingiram o nível de desempenho não apenas dos radiologistas, mas dos radiologistas que passam pelo menos uma parcela substancial do tempo lendo mamografias de rastreamento". (Fonte: Interação Diagnóstica)


5) Novo equipamento permite cirurgia sem corte nem internamento


Um tipo de cirurgia que não requer realização de cortes no corpo e pode ser feita em ambulatório, sem necessidade de internamento. Por mais que pareça impossível, essa é uma realidade que a tecnologia já proporcionou à medicina. A radiocirurgia, técnica desenvolvida na década de 1950 pelo médico sueco Lars Leksell, vem evoluindo com a modernização dos equipamentos voltados à área de saúde. Pernambuco está prestes a receber, de forma pioneira na América Latina, o equipamento mais moderno que existe no mundo nessa área, que permitirá o aumento da precisão no uso da radiação a níveis milimétricos e reduzirá os efeitos colaterais.

A radiocirugia é uma técnica que utiliza feixes de radiação em dose única para tratar tumores e malformações arteriovenosas cerebrais. Por meio dela, é possível direcionar os feixes de radiação precisamente ao tumor, chegando a lugares que muitas vezes uma cirurgia convencional não conseguiria atingir. “É um tratamento extremamente preciso e localizado, que pode ser usado como tratamento principal ou adjuvante de casos de metástases, tumores benignos, doenças tumorais do cérebro, tumores de pulmão, fígado, entre outros”, explicou o chefe da radioterapia e coordenador do serviço de oncologia do Real Hospital Português, Ernesto Roesler.

Um tratamento convencional de radioterapia pode durar de duas a oito semanas. Já uma radiocirurgia varia de um a cinco dias. É uma técnica considerada segura, não invasiva, com custo mais baixo, já que não precisa de internação, e recuperação mais rápida para o paciente, de acordo com o neurocirurgião especialista em radioterapia do RHP João Gabriel Gomes. De maneira geral, a radiocirurgia é uma alternativa aos pacientes que, por questões de quadro ou biológicas, terão grandes comprometimentos com uma cirurgia tradicional.

A técnica, porém, não se aplica a todos os casos, necessita de indicação e avaliação de profissionais habilitados. No caso de tumores cerebrais, por exemplo, a radiocirurgia só deve ser utilizada naqueles tumores que têm, no máximo, 2,8 centímetros de diâmetro. “A ideia por trás da radiocirurgia é tratar lesões e manter a parte cognitiva do paciente sem danos”, afirmou Ernesto Roesler. Ao longo dos últimos três anos, o RHP realizou cerca de 200 radiocirurgias, das quais cerca de 150 delas de questões relacionadas ao sistema nervoso central. (Fonte: Diário de Pernambuco)



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