• Fábio Henrique Araújo

Diagnóstico 4.0 News - edição #7

Resumo semanal de notícias sobre Radiologia, Diagnóstico por Imagem & Saúde 4.0




1) Comissão derruba portaria que limita acesso à mamografia no SUS


A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE) decidiu nesta terça-feira (21) derrubar a Portaria 61/2015 do Ministério da Saúde (MS) que limitou o acesso de mulheres de 40 a 49 anos aos exames de mamografia para detecção precoce de câncer de mama no Sistema Único de Saúde (SUS). Pela portaria do MS, somente mulheres de 50 a 69 anos de idade podem fazer o rastreamento mamográfico na rede pública. De autoria do senador Lasier Martins (Pode-RS), o projeto de decreto legislativo, PDS 377/2015, que possibilitou a decisão, segue para o plenário da Casa em com urgência para análise.


A relatora da proposta na comissão, senadora Leila Barros (PSB-DF), avaliou que a portaria do Ministério da Saúde é ilegal e afronta a Lei 11.664/2008, que assegura a mamografia a todas as mulheres a partir dos 40 anos de idade. Ainda em defesa da derrubada da portaria do Ministério da Saúde, a senadora argumentou que o câncer de mama é uma doença grave, sendo a primeira causa de morte por câncer entre as brasileiras, em 2019, segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca), 59,7 mil novos casos devem surgir no país. (Fonte: Isto É)


2) Inteligência Artificial supera médicos em diagnóstico de câncer de pulmão

Sistemas baseados em inteligência artificial conseguiram detectar com mais precisão do que médicos pequenos tumores cancerígenos no pulmão a partir da análise de exames de tomografia computadorizada. O estudo foi publicado esta semana pelo Google juntamente com vários centros médicos na revista Nature Medicine.


Cerca de 1,7 milhões de pessoas em todo o mundo morreram devido ao câncer de pulmão no ano passado. Para prevenir a doença, pacientes passam por exames que, posteriormente, serão analisados por radiologistas que decidirão se há necessidade de fazer uma biópsia. No entanto, esse diagnóstico nem sempre é preciso, e erros podem levar pacientes a passarem por procedimentos invasivos sem necessidade. Até que os cientistas pensaram que um computador poderia fazer melhor.


Os estudiosos então aplicaram inteligência artificial na leitura de exames de tomografia computadorizada usados para rastrear pessoas em busca de câncer de pulmão. Em testes realizados com 6.716 casos com diagnósticos conhecidos, o sistema foi 94% mais preciso em comparação a seis especialistas radiologistas, apresentando menos falsos positivos e falsos negativos quando não havia nenhum escaneamento prévio.

"Temos alguns dos maiores computadores do mundo", afirmou o Dr. Daniel Tse, diretor de projetos do Google e autor do artigo, em entrevista ao The New York Times. “Começamos a querer expandir os limites da ciência básica para encontrar aplicações para trabalharmos”. (Fonte: IT Mídia)



3) Tomografia por emissão de pósitrons (PET) revela como a cocaína altera o metabolismo de glicose no cérebro


Estudo pode ajudar a prever recaída em dependentes de cocaína, de acordo com uma pesquisa feita na Universidade de São Paulo (USP) e publicado na revista Drug and Alcohol Dependence. A descoberta pode ajudar profissionais de saúde a identificar pacientes que, após passarem por um tratamento para dependência de cocaína, apresentam risco aumentado de recair no uso da droga. Segundo os autores, os achados reforçam a necessidade de uma atenção diferenciada para esses casos considerados mais graves. 


A pesquisa foi coordenada pelo professor da Faculdade de Medicina (FM) da USP Paulo Jannuzzi Cunhabolsista de pós-doutorado da FAPESP. Também teve apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Os cientistas acompanharam 68 pacientes internados para tratamento da dependência de cocaína no Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (HCFMUSP) durante 30 dias. O monitoramento dos voluntários continuou por três meses após a alta hospitalar, visando o registro de eventuais recaídas. Apenas 14 pessoas permaneceram abstinentes durante todo o período de seguimento. 


Um dos objetivos da pesquisa foi avaliar se os 11 critérios para diagnóstico da dependência química estabelecidos na quinta e mais recente edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM5) – publicação elaborada pela Associação Americana de Psiquiatria e considerada principal referência na área – eram eficazes também para predizer resposta ao tratamento. “Nossa hipótese era de que esses critérios não seriam relevantes para a predição de recaídas. Após as análises, contudo, reconhecemos que eles podem sim ser úteis nesse sentido”, disse Cunha à Agência FAPESP. 

Para diagnosticar a dependência de cocaína e a gravidade do caso, o DSM5 avalia critérios como: uso da substância em quantidades maiores ou por mais tempo que o planejado; desejo persistente e incontrolável; abandono de atividades sociais, ocupacionais ou familiares devido ao uso; manutenção do uso apesar de problemas sociais ou interpessoais; tolerância e abstinência, entre outros. (Fonte: Interação Diagnóstica)



4) Telemedicina deve atrair US$ 8 bilhões nos próximos cinco anos

A chamada telehealth, que inclui na telemedicina a parte de telecomunicações no âmbito da saúde, deve movimentar no Brasil nos próximos cinco anos entre US$ 7 bilhões e US$ 8 bilhões. O cálculo é de Guilherme Hummel, coordenador científico do HIMMS (Healthcare Information and Management Systems Society) e autor de alguns livros sobre o tema.

Segundo o especialista e consultor na área, o investimento em recursos tecnológicos para acelerar a adoção do atendimento médico a distância é a única forma de cobrir a demanda crescente por serviços de saúde em larga escala. “Hoje, no mundo, há uma população de 7,3 bilhões de habitantes e a estimativa é de 1,3 patologias por habitante. Não existe como a oferta de serviço chegar perto da demanda. Segundo a Organização Mundial de Saúde, no mundo hoje há um deficit de 8 milhões de médicos”, explica Hummel.


No caso do Brasil, lembra, há 57 milhões de pessoas que dependem da saúde suplementar e o resto da população depende dos serviços prestados pelo poder público. “Tanto o governo quanto as empresas de saúde suplementar estão quebrados. No Brasil, a sinistralidade média chega a 84%, segundo a Abramge (entidade que representa empresas de plano de saúde). E essa média é crescente. Sem tecnologia não será possível garantir atendimento.” Esse potencial na área de saúde tem atraído desde grandes grupos, como Apple, Amazon, Google e IBM, a fundos de investimento e empreendedores que apostam nas health techs (startups ligadas a saúde). No ano passado, diz Hummel, os investimentos de fundos de venture capital (capital de risco) só na área de saúde foram da ordem de R$ 4 bilhões no Brasil. Globalmente, as projeções dos grandes fundos de investimento apontam para valores que poderão chegar a US$ 100 bilhões por ano. ‘Os recursos para saúde são ilimitados no mundo”, avalia Hummel.


Para dar vazão à demanda crescente, o consultor acredita que a solução esteja na telehealth, com o atendimento remoto como porta de entrada e triagem dos pacientes. Esse recurso, diz, tem condições de resolver 70% dos casos em uma consulta. Os médicos, por meio das entidades de classe, têm se posicionado contra o avanço da telemedicina.

“Os médicos não estão preparados para isso, apesar de ser algo absolutamente banal. Ele faz uma série de perguntas que costumeiramente faria na consulta presencial, em consultas que em média demoram sete minutos no Brasil. Esse contato vai servir para encaminhamentos e até para dizer ao paciente que é necessário ir imediatamente para um consultório ou hospital. Funciona como uma triagem, que é algo que não é feito no Brasil. Hoje, vão para a mesma fila procurar atendimento desde aquele que tem uma gripe até doenças mais graves”, diz (Fonte: Correio Braziliense)


5) Amazon desenvolve projeto que reconheceria emoções humanas


A Amazon.com Inc. está desenvolvendo um dispositivo wearable ativado por voz que pode reconhecer as emoções humanas. Segundo informações da Agência Bloomberg, o gadget de pulso é descrito como um produto de saúde e bem-estar em documentos internos da Lab126, grupo de desenvolvimento de hardware por trás do Kindle e o alto-falante inteligente Echo, e a equipe de software de voz do Alexa.


Projetado para funcionar com um aplicativo de smartphone, o dispositivo possui microfones combinados com softwares que podem discernir o estado emocional do usuário pelo som de sua voz. Eventualmente, a tecnologia pode ser capaz de aconselhar o usuário a interagir de forma mais eficaz com os outros, segundo fontes próximas ao assunto.

Não está claro até onde o projeto está ou se algum dia se tornará um dispositivo comercial.


A Amazon fornece às equipes ampla liberdade para experimentar produtos, alguns dos quais nunca chegam ao mercado. O projeto, codinome Dylan, segundo essas fontes, tinha um beta teste em andamento, porém não esteja claro se o teste inclui hardware protótipo, software de detecção de emoções ou ambos. A Amazon se recusou a comentar o assunto. (Fonte: TI Inside)


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