• Fábio Henrique Araújo

03 dicas para não entrar para as estatísticas de mortalidade de clínicas e consultórios




Empreender no Brasil é tarefa árdua seja qual for o ramo de atividade. De acordo com o ranking Doing Business, que avalia a facilidade em fazer negócios em 190 países, o Brasil ocupa a tortuosa 109ª posição. Quando analisamos apenas os quesitos "Obtenção de Alvarás" e " Pagamento de Impostos", o cenário é ainda pior; 175ª e 184ª posições, respectivamente.


Na saúde não é diferente, segundo último levantamento do SEBRAE, a cada 20 clínicas e consultórios abertos no Brasil, 05 fecham as portas em até 2 anos. Percentual de mortalidade ligeiramente maior do que a média geral nacional - 23%. Isso mostra que empreender na saúde requer ainda mais preparação do que nos demais segmentos de mercado.


Diferente de outros ramos de atividade, a atenção à saúde não costuma ser tão concorrida - isso não se aplica muito em grandes cidades. Conta a favor também a complexidade da atividade, mesmo podendo haver um número elevado de clínicas numa determinada região geográfica, não necessariamente elas oferecem os mesmos serviços. Há um sem-número de especialidades médicas que podem e devem ser exploradas.


No entanto, mesmo com a concorrência não sendo tão elevada em muitas regiões e havendo uma ampla possibilidade de diversificação dos serviços fornecidos, ainda assim temos uma elevada taxa de mortalidade. Isso ocorre porque muitas empresas fecham não por falta de mercado, mas por falta de planejamento e gestão.


Pensando nisso, listei 03 dicas focadas nestes dois pontos, que, no meu ponto de vista, são o calcanhar de Aquiles da maioria dos médicos:



1) Contrate um bom advogado e um ótimo contador

Até pouco tempo atrás, se tinha a concepção de que a advocacia e a contabilidade eram atividades não muito essenciais. O advogado era visto como a pessoa que só precisava ser consultada caso houvesse alguma situação litigiosa. Já o contador era o profissional que mandava as guias de impostos e a folha de pagamentos ao final do mês.


Porém num pais de legislação tão complexa quanto o Brasil, a contabilidade e a advocacia têm se mostrado atividades-chave. Uma boa assessoria ainda no planejamento da nova empreitada e durante a operação pode definir não só a sobrevivência do negócio, mas o sucesso dele.


2) Tenha sócios com perfis variados


Vejo com muita frequência empresas de saúde sendo estabelecidas apenas com profissionais da medicina em seu quadro societário. Não há nenhum problema nisso, desde que esses profissionais detenham conhecimento suficiente para assumir a responsabilidade pelas várias áreas que envolvem a gestão de uma clínica.


E é aí que está a questão: a maioria dos médicos carece de bons conhecimentos de gestão. Quando me refiro a gestão, falo no sentido amplo da palavra: rotinas administrativas, compras, vendas, marketing, finanças, recursos humanos. Penso que seja uma lacuna que as faculdades de medicina não conseguiram preencher. Caso você ou seus futuros sócios não tenham este perfil, sugiro fortemente que considere trazer um gestor para a sociedade.


3) Faça um plano de negócios


Imagine uma viagem de avião em que o piloto não recebeu as orientações de voo. Não se sabe qual o destino, não se sabe as condições meteorológicas, nem tampouco a quantidade de combustível disponível. Será se o avião terá combustível suficiente? Será se o piloto conseguirá identificar pra onde está indo? Parece loucura, não? Mas é exatamente isso que a maioria dos médicos faz quando vai iniciar um novo empreendimento.


Não fazer uma plano de negócios é como iniciar uma viagem sem plano de voo. As chances de faltar "combustível" são grandes, a chance de não saber para onde se está indo também. Quando planejamos nosso "voo", a viagem sempre é mais tranquila , fica mais fácil saber onde precisaremos fazer "escalas" e onde iremos chegar.


No plano de voo, há uma série de informações que não podem faltar:

- aeródromo de decolagem e de destino,

- rota a cumprir;

- tempo estimado em rota;

- regra de voo (IFR ou VFR);

- número de pessoas a bordo (POB);

- dentre tantas outras.


No plano de negócios não é diferente. Para termos uma viagem mais tranquila, certas informações são preponderantes:

- estudo mercadológico;

- análise de viabilidade econômico-financeira;

- modelagem (Canvas);

- planejamento tributário;

- e mais uma série de informações.


Quanto mais detalhado for o plano de negócios, maiores as chances de êxito da empreitada. Criei uma planilha de plano de negócios que acho que poderá lhe ajudar bastante. Clique aqui para fazer o download. Caso tenha alguma dificuldade em preenchê-la, não exite em me contatar.


Até mais ver! E bons voos!

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